Esporte na Band

Do Brasil ao Peru: a jornada épica rumo à final da Libertadores

O interesse pela maior viagem de ônibus do mundo dobrou, com torcedores trocando o luxo do avião pela aventura raiz de 6.000 km, cruzando Andes e desertos pelo sonho sul-americano

Babi Fava
BABI FAVA

11/10/2025 • 17:13 • Atualizado em 11/10/2025 • 17:13

Libertadores

Libertadores

Marcelo Cortes / Flamengo

Imagine trocar a segurança e o conforto da vida moderna por quase seis dias e cinco noites a bordo de um ônibus, encarando mais de 6.000 quilômetros entre florestas, cordilheiras e desertos. Parece loucura, né? Mas para muitos torcedores, essa jornada tem outro nome: sonho.

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A linha operada pela Trans Acreana é reconhecida pelo Guinness World Records como a rota regular de ônibus mais longa do mundo, ligando o Rio de Janeiro a Lima, no Peru. E, com a final da Libertadores confirmada na capital peruana, essa travessia voltou aos holofotes.

De acordo com dados da Sala Digital, o interesse de busca por “ônibus Peru/Lima” praticamente dobrou nas duas últimas semanas de setembro de 2025, em comparação com a média anterior. O salto acompanha o pico de buscas por “ingresso final Libertadores”, que atingiu seu nível mais alto no mesmo período. Mesmo antes da certeza sobre a final, torcedores já intencionaram que estarão lá e que, com certeza, vão se organizar para isso.

Essa tendência não é inédita. Quando a final de 2019 aconteceu em Lima, a rota registrou recordes de interesse — e agora, com as torcidas mobilizadas, a história se repete. O Rio de Janeiro, casa de algumas das maiores torcidas do país, lidera as buscas por ingressos e também por alternativas mais baratas de transporte.

Economia e acesso: o ônibus como porta de entrada

A passagem aérea para Lima pode chegar a R$ 9 mil em cima da hora, o que torna o sonho distante para boa parte da torcida. A passagem de ônibus, por outro lado, custa cerca de R$ 1.000, tornando-se o caminho mais acessível para quem não quer — ou não pode — abrir mão da final.

Além do preço, há vantagens práticas: até 50 kg de bagagem liberada, flexibilidade para quem decide de última hora e, claro, a experiência de cruzar um continente. Para muitos, a economia de cerca de R$ 8 mil significa poder bancar dezenas de ingressos de arquibancada ou transformar o trajeto em parte da própria história.

A estrada como rito de passagem

Encarnar essa aventura é mais do que se deslocar: é participar de um rito coletivo de paixão. Durante os quase seis dias de viagem, desconhecidos viram companheiros de estrada. Torcedores dividem lanche, jogam truco nos corredores, cantam hinos no meio da Cordilheira e, inevitavelmente, compartilham histórias.

A paisagem se transforma diante dos olhos: cerrado, floresta tropical, o deserto de Huacachina e, por fim, a temida Cordilheira dos Andes, com seus 4.750 metros de altitude. A Libertadores começa ali, muito antes da bola rolar.

Quando a paixão fala mais alto

Nada nessa jornada é fácil. A altitude provoca tontura, enjoo e até o temido soroche. O banho pode custar R$ 10 — ou simplesmente não acontecer, caso haja atrasos. O ônibus não é leito-cama. Mas, para quem embarca, cada perrengue vira uma história.

O crescimento das buscas no Google por essa rota quase mítica revela algo essencial sobre o torcedor brasileiro: o dinheiro pode comprar o avião, mas a paixão é o que dita a rota. E a rota mais longa, às vezes, leva direto ao coração da glória.

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