Zico recorda histórias no futebol indiano e perrengue com pimenta
Ídolo do Flamengo treinou time indiano de 2014 a 2016
Poucos brasileiros conhecem tão bem o futebol indiano quanto Zico. Camisa 10 da Amarelinha nas Copas do Mundo de 1982 é 1986, o ídolo do Flamengo treinou o FC Goa de 2014 a 2016, e viu de perto os diferentes lados do país de 1,4 bilhão de habitantes, que será o próximo adversário da Seleção Brasileira.
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Quando desembarcou em solo indiano, o ex-meio-campista se deparou com um futebol bastante precário tanto na qualidade dos jogadores quanto estruturalmente. Mesmo com todos os problemas, conheceu de perto a paixão indiana pelo esporte.
“Num acordo com algumas empresas, eles criaram essa ISL, que é a Indian Soccer League, e levaram muitos jogadores, alguns protocolos deviam ser cumpridos. Para poder ter mais público, botaram como padrinhos das equipes grandes nomes do críquete. Isso foi muito legal também. Era casa cheia em todos os jogos, sempre o estádio lotado e uma multidão do lado de fora. Era impressionante isso”, conta em entrevista à Band.com.br.
Mais do que o momento em que as ligas locais tiveram a presença de nomes estrelados, Zico reconhece a importância do “boom” de contratações para o desenvolvimento do futebol local, que já chegou a disputar Olimpíada com jogadores descalços, e, também, para a vida dos atletas que vivem no país.
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“Houve um desenvolvimento também do jogador indiano, porque eles tinham situações precárias de vida. Nesse período, todos nós ficávamos concentrados num hotel de nível dos melhores que tinha lá na Índia e eles dormiam melhor e se alimentavam melhor. Isso também motivou a Liga Indiana. Isso fortaleceu bastante o futebol indiano, motivou bastante a garotada a fazer trabalhos de base. Muitas escolas de futebol começaram a surgir. Ainda está num nível mais fraco do que os outros, mas teve uma certa evolução”, explica.
Diferentemente dos tempos de Zico, o futebol indiano atual não tem mais grandes nomes do futebol mundial. O Galinho, porém, enxerga isso como algo natural para um país que ainda ainda está desenvolvendo a modalidade.
“Acho que questão de patrocinadores, porque eram empresas fortes que participaram disso. Talvez seja a questão das mudanças que foram feitas para poder trabalhar mais com o material humano local. Eles motivaram, fizeram a chamada para o futebol e, com isso, agora estão usando mais a parte local. O Japão também foi assim”, continua.
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As diferenças da vida na Índia
O período de Zico na Índia também originou histórias fora de campo, algumas nem tão agradáveis de lembrar. Acostumado com a culinária brasileira e japonesa, o ídolo teve uma rival de peso no país: a pimenta, que muitas vezes o venceu.
“Foi a pimenta, não é fácil. A gente pensa que come pimenta aqui, lá os caras tomam café da manhã, almoçam e jantam com a pimenta. É muito complicado. Era difícil você entrar num lugar num restaurante indiano, tudo é feito com muita pimenta. Desde a cozinha, e aí quando chega na mesa o cara ainda pergunta se você quer com pimenta ou sem pimenta. É daquela que a gente não aguenta. Toda hora indo ao banheiro, não era fácil”, conta aos risos.
Fora de campo, no entanto, Zico também se assustou com a desigualdade social devido aos sistemas de castas no país: “Realmente tinha algumas coisas que a gente não se sentia bem nesse tipo de cultura. É triste, porque era muito difícil essa convivência”.
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A paixão pelo Brasil
Mesmo com os problemas, o ídolo flamenguista sempre foi reverenciado em solo indiano. Na rua, sinais da idolatria eram nítidos para o Galinho.
“Nos estádios sempre tinha uma faixa nossa. O estádio de Calcutá, onde o Brasil vai jogar, eles tinham como se fosse o Maracanã. Eles davam o nome do Maracanã indiano e era muito grande, só que ele já estava muito velho e acredito que tenham feito reformas. Essa cidade era impressionante. Faziam festa pros brasileiros, Ela é revestida de Brasil. Isso foi muito legal. Eles eram apaixonados, principalmente pela Seleção de 2002”, completa.
Agora, os indianos terão a oportunidade de assistir de perto à Seleção Brasileira. A bola rola para o amistoso a partir das 11h (horário de Brasília) deste sábado (3).
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