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Candidato a presidente do Corinthians rejeita SAF e promete parar de gastar

Ilmar Schiavenato é candidato à presidência do Corinthians e rejeita a ideia do clube virar SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Muitos torcedores entendem que

8 min

31/10/2026 17:19 • Atualizado há 2 horas

Candidato a presidente do Corinthians rejeita SAF e promete parar de gastar

Ilmar Schiavenato pretende ser presidente do Corinthians

Reprodução Band

Ilmar Schiavenato é candidato à presidência do Corinthians e rejeita a ideia do clube virar SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Muitos torcedores entendem que essa é a solução para a crise financeira do Timão. Porém, em entrevista à Rádio Bandeirantes, Ilmar explicou a posição dele sobre o assunto.

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“Se estou propondo um clube autônomo para daqui a 1, 2 ou 3 anos, já estou afirmando que vou construir um clube suficientemente capaz. Tenho muito receio da SAF. O Corinthians não precisa de terceiros. Basta trabalhar o clube. O modelo associativo funciona, sim, porque os dois melhores clubes do Brasil não são SAFs", iniciou Ilmar.

Ele também mencionou que, apesar de algumas SAFs terem sucesso, também existem fracassos: “Tem SAFs que já pediram recuperação judicial. Algumas estão sendo adquiridas por outras SAFs. Acho que estamos banalizando esse modelo. É preciso ter muito respeito e calma ao tratar do assunto. O Corinthians é muito grande. Não precisa de SAF. O Corinthians é muito grande e ainda não quebrou”.

O projeto financeiro de Ilmar é focado em controlar os gastos: ˜Estamos conversando com grupos financeiros para trazer dinheiro novo. Mas o que precisamos fazer é parar de pagar juros de 30% ao ano. É um absurdo! Tenho uma folha salarial de R$ 600 milhões por ano. Não existe condição de um clube que fatura R$ 1 bilhão e manter esse nível de gastos. Então, o que você precisa fazer é parar de gastar".

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Veja mais assuntos abordados por Ilmar Schiavenato na entrevista:

Por que quer ser presidente?

Tenho um histórico no clube desde pequeno. Atuei como diretor de remo. Também fui diretor na época do Mário Gobbi, na área social. Eu ando pelo clube e você pode não acreditar: é uma unanimidade. Todo mundo me abraça e me beija. Posso não ganhar a eleição, não há problema. Isso também não vai mudar a minha relação com o clube. Mas o que digo para você é que existe um carinho e um respeito muito grandes das pessoas por mim, porque fui um cara diferente

Voto do Sócio-torcedor

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Sou a favor. Por que não seria? Desde que sejam respeitadas as regras e a organização do clube. Por exemplo, teremos que esperar três anos? Teremos que contribuir durante algum tempo? Sim, é possível. Precisamos estabelecer algumas regras. Com as regras definidas, sou a favor, sim. Por que não? O Corinthians tem uma dimensão e um tamanho enormes. Não são apenas três mil pessoas que precisam decidir tudo. O sócio questiona: "Mas o torcedor não paga aqui no clube. Eu pago há 30 ou 40 anos, e ele vem e vai decidir?". É preciso estudar as regras e encontrar hipóteses viáveis, tecnicamente corretas. Feito isso, está tudo certo. Não tenho problema nenhum.

NeoQuímica Arena

A Arena fatura cerca de R$ 100 milhões a R$ 120 milhões por ano. Nós pagamos, na entrada, 55% do valor bruto para a Caixa. Na operação do estádio, tudo o que você gasta para realizar um evento, também representa uma despesa significativa. Existe uma maneira de resolver isso: você vai chamar todos os parceiros e falar: "Olha, o Corinthians está em uma situação muito difícil. Você não vai receber agora. Então, precisa me ajudar˜. Aí vai até a NeoQuímica e fala: "Espere um pouco. Você não pode me dar R$ 150 milhões de entrada agora, assumir mais três anos de projeto e mais três anos de contrato?".

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Caixa Econômica e naming rights

Eu gostaria de ter um parceiro que pagasse a nossa dívida e encerrasse o assunto com a Caixa Econômica. Mas acho que a Caixa não poderá colocar o nome dela na Arena, pelo aspecto social. Já houve clubes reclamando e você sabe quais são. Mas desde que não prejudique terceiros, eu concordo. Se você achar que vai tirar algo do Corinthians para dar a terceiros, isso não é justo.

Os conselheiros têm culpa pela crise atual?

A gente tenta. Você leva o assunto ao Conselho, mas não vai para frente. Você vai começar a judicializar o Corinthians a todo momento? Existem momentos em que você precisa votar, como aconteceu na última votação do balanço. O Corinthians já está em uma situação tão difícil que. Se você acaba não aprovando o balanço, piora ainda mais a situação. Você está tentando salvar o clube, quer melhorar as coisas, mas percebe que as pessoas que estão lá não estão correspondendo. Você achava que quem estava lá seria capaz de resolver, mas, infelizmente, não é o que está acontecendo. A situação está piorando, o clube caiu em desgraça. Então, você confia nas pessoas, mas o conselheiro não consegue fazer muita coisa. Às vezes, temos apenas duas ou três reuniões. Você vai lá, tenta brigar por alguma coisa, mas não é ouvido.

Votou pela expulsão de Andrés Sanchez?

Sim. O que apresentaram para nós era algo que não condizia com a conduta esperada de um presidente. Então, entendemos que não era viável. Vou falar uma coisa: não julgo a pessoa, julgo aquilo que ela fez de errado. Não tenho nada contra a pessoa. Ele foi presidente do Corinthians. Aquela pessoa, aquele presidente, fez coisas erradas. Então, não concordei com a postura dele enquanto presidente.

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Transparêcia e combate à corrupção

Não sei se existe corrupção ou roubo. Mas levei aos promotores que falam em intervenção um projeto elaborado pelos meus dois filhos, que são economistas. É um projeto que ninguém tem igual. Nem acho que o Corinthians tenha. Levei o projeto aos interventores e eles disseram que não tinham algo semelhante. Isso é um exemplo. Conheço bem as contas e sei como estão as coisas no Corinthians. Analisei tudo, e essas informações estão expostas. Além disso, você já vê que sou candidato e não tenho ninguém ocupando cargos por indicação minha. Não prometi nada a ninguém e não vou prometer. Porque, se fizer isso, terei problemas. Alguém poderá dizer: "Você prometeu, agora precisa ceder". E eu não sou esse tipo de pessoa.

Apoio do governo a times de futebol

Tudo que não é coerente ou decente, considero errado. Não vou aderir a cláusulas irregulares. Não sou assim.Por isso digo que uma SAF também pode falir. Uma SAF não é garantia de sucesso. Se você tiver uma SAF e não a administrar com decência, ela quebra, ela falha. Se entrar em recuperação judicial, como já aconteceu em alguns casos, e não fizer as coisas corretamente, também poderá falir. Existem consequências.

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O que digo para você é que não considero correto prejudicar terceiros. Não tenho essa linha de pensamento. Agora, sobre os benefícios concedidos pelo governo, na minha opinião, o futebol é algo que movimenta uma população inteira. A dívida das empresas e a dívida do cidadão também afetam a população.

Por que as empresas fogem? Porque pagam impostos absolutamente anormais no país. Você tem uma empresa, cria uma holding para pagar menos aluguel, e o governo vem e aumenta ainda mais a tributação.

O futebol não paga imposto, porque é uma associação esportiva sem fins lucrativos. Mas gera uma série de situações que, infelizmente, acabam acarretando problemas administrativos.

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Vai ser uma gestão nova e diferente?

Veja bem, eu tenho idade, mas aprendo muito e ainda trabalho. Tenho um escritório de advocacia funcionando e filhos que me orientam bastante em suas áreas. Então, não tem nada de velho aqui. Tenho 72 anos e estou em plena forma.

E digo mais: não tem mais do mesmo. Não vai pensar que será comigo, porque não tenho essa linha de pensamento. Não é uma questão de ser velho ou novo. Não vai continuar como era. Vai mudar muito.

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Participação dos filhos na gestão

Você sabe que aqui no clube não pode contratar parentes. É uma pena, mas não vou contratá-los. Não tenho essa falta de consciência da realidade. Vou tê-los ao meu lado, sim. Eles vão me ajudar muito.

Como falei, se você entrar no plano que eles elaboraram, vai perceber que ainda não viu nenhum igual. Tenho certeza de que vai olhar e dizer: "Parabéns!". Muita gente já está dizendo isso. Até pessoas de grandes bancos comentam: "Cara, impressionante tudo isso!".

É muito importante ter dois filhos qualificados, que estudaram no Mackenzie, trabalham no XP e no Itaú e têm conhecimento notório.

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Não serão empregados, lógico que não. Mas só pelo fato de estarem comigo, já terão muito relacionamento comercial e profissional.

Esse não é o objetivo deles, mas o trabalho que estão fazendo para mim é muito bom. É muito bom tê-los comigo.

Se eu pudesse contratá-los, contrataria, mas não é necessário. Eles têm vida própria, têm suas empresas e, graças a Deus, estão bem.

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Recado final

Gostaria muito que o sócio que vai votar entendesse que meu projeto é pautado por compliance e auditoria. O Conselho não vai apenas analisar as contas e aprová-las. Ele vai trabalhar comigo, exercendo sua função juntamente com a auditoria. Vai contribuir com ideias para que eu possa executar um programa de governo eficaz, que já está publicado. Esse programa foi estudado durante quase seis meses para ser elaborado. Vamos cumpri-lo rigorosamente.

Quero que o sócio tenha conforto no clube e que tenhamos um futebol muito bom. Também não podemos esquecer o futebol feminino, sobre o qual ainda não falamos. Vamos criar uma base para o futebol feminino, formando meninas, porque esse mercado já está crescendo e funcionando.

Quanto ao nosso futebol, torcedor, não fique preocupado. Não vamos acabar com o futebol. Vamos trabalhar, sim, com austeridade, projetos e metas.

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Eu não quero perder. Fui campeão no remo, em 2012 e 2014, fui campeão mundial, fui campeão da Libertadores e fui campeão de tudo. Nasci para ser campeão. Então, o futebol será o melhor do mundo, com certeza. E o clube também será um dos melhores da América Latina.

Também queremos nos reunir com a torcida. Gostaria de criar um comitê para que ela não fique alheia a tudo o que acontece no clube. Precisamos fornecer informações e manter um diálogo para evitar invasões e quebra-quebras, preservando a dignidade que a torcida também merece.

É isso que quero transmitir a vocês: austeridade, honestidade, trabalho e seriedade. É disso que precisamos. E confiança. Vocês podem ter certeza de que terão isso comigo.

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Olhem para o futuro, mas também vejam o meu passado. Acho que ele é suficiente para provar tudo isso a todos.

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