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Turquia vira bicho-papão do mercado, mas empresários fazem alerta; entenda

Salários milionários, competições europeias e grandes investimentos explicam avanço, mas dívidas preocupam

7 min

04/09/2026 07:30 • Atualizado há 51 dias

Turquia vira bicho-papão do mercado, mas empresários fazem alerta; entenda

A janela de transferências da Turquia termina nesta sexta-feira (4) com o país consolidado como um dos grandes protagonistas do mercado da bola.

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Mohamed Salah, Rafael Leão, Mason Greenwood, Romelu Lukaku, Nathan Aké, Fabinho, Leandro Trossard e Dusan Vlahovic estão entre os nomes que desembarcaram no futebol turco nesta temporada.

O movimento chama atenção não apenas pelo tamanho dos jogadores, mas pela capacidade financeira demonstrada pelos principais clubes. Galatasaray, Fenerbahçe, Trabzonspor e Besiktas, juntos, desembolsaram mais de 300 milhões de euros em transferências nesta janela.

Afinal, de onde vem tanto dinheiro? E por que a Turquia se tornou tão atraente?

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O band.com.br conversou com dois empresários que conhecem o mercado por dentro. Um deles é brasileiro, com cerca de 20 anos de experiência em negociações internacionais. O outro é turco, trabalhou no Fenerbahçe e hoje atua diretamente na chegada de jogadores estrangeiros ao país.

Os dois apontam uma combinação poderosa: salários altos, clubes dispostos a comprar jogadores, competições europeias e qualidade de vida.

Mas também fazem alertas sobre atrasos de pagamentos, endividamento e a sustentabilidade dessa escalada.

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“Uma Arábia Saudita que joga competições da Uefa”

O dinheiro é o ponto de partida.

Segundo o empresário turco ouvido pelo band.com.br, os clubes do país passaram a oferecer valores capazes de competir até com propostas do futebol saudita.

“Em primeiro lugar tem a parte financeira. Quando você negocia com um jogador, a primeira pergunta é sempre: quanto paga? Qual valor? Qual pacote?”, explicou.

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Na visão dele, a Turquia encontrou uma combinação difícil de ser oferecida por outros mercados.

“Os clubes turcos conseguem competir financeiramente com os clubes árabes. Virou, vamos dizer, uma Arábia Saudita que joga nas competições da Uefa.”

O agente cita negociações recentes envolvendo jogadores que recebiam entre 600 mil e 700 mil euros por temporada em ligas como as de Holanda e Bélgica.

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Na Turquia, segundo ele, esses mesmos atletas receberam ofertas de 3 milhões, 4 milhões e até 5 milhões de euros anuais.

“Em vez de ficar na Holanda ganhando 500 mil, 600 mil euros por ano, pode vir para a Turquia, viver muito bem e ganhar cinco vezes mais.”

Não é só salário

A força turca tem outro componente importante: os clubes também estão dispostos a pagar pelas transferências.

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“Eles têm orçamento. Vão fazer o acordo, pagam transferências mais altas e salários mais altos”, afirmou o empresário brasileiro.

O perfil procurado também ajuda a explicar algumas das estrelas escolhidas.

Enquanto diversos clubes europeus priorizam jogadores jovens pensando em valorização e venda futura, os turcos permitem outra lógica.

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“Eles olham para jogadores com idade que outros clubes europeus talvez não olhariam.”

Segundo ele, o peso do nome construído pelo atleta durante a carreira pode ser tão importante quanto uma possível revenda.

“Eles não têm esse negócio de pegar jogador de até 21 ou 23 anos porque querem formar e revender. Eles pegam jogador que tem grife. Querem fomentar o negócio deles, fomentar o torneio.”

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Isso não significa, porém, que a Turquia esteja restrita aos veteranos. A própria janela mostra investimentos milionários também em jogadores mais jovens, como Greenwood.

Rivalidade aumentou a conta

Nem sempre foi assim.

O empresário turco lembra que, há cerca de cinco anos, muitos clubes buscavam prioritariamente atletas livres porque faltava dinheiro para grandes transferências.

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Na avaliação dele, a contratação de Victor Osimhen pelo Galatasaray foi um dos movimentos que aceleraram a escalada recente.

“O Galatasaray contratou o Osimhen. O que o Fenerbahçe vai fazer? Vai ter que gastar muito também.”

Victor Osimhen, jogador do Galatasaray I Foto: X/@GalatasaraySK

Victor Osimhen, jogador do Galatasaray I Foto: X/@GalatasaraySK

A pressão esportiva e política entre os maiores clubes criou um efeito cascata.

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“Se o seu adversário está gastando 20 milhões de salário para um jogador, você tem a obrigação de fazer alguma coisa. Então o Fenerbahçe começou a fazer a mesma coisa.”

Na sequência, o Besiktas também precisou acompanhar.

“Esses dois clubes abriram diferença para o Besiktas. Aí o que o Besiktas fez? Tem que gastar também.”

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A chegada de estrelas também ajuda a fortalecer a imagem do futebol turco no mercado internacional. Na avaliação dos empresários ouvidos pelo band.com.br, contratações de grande repercussão fazem outros jogadores passarem a enxergar clubes e a própria liga de outra forma.

Um dos agentes revelou ainda que o Trabzonspor procurou Gabigol, atacante do Santos, há cerca de um ano, mas o atacante não quis avançar nas conversas. Segundo ele, a chegada de Mohamed Salah ao clube mudou a percepção sobre o projeto e aumentou o peso da equipe no mercado.

De onde vem o dinheiro?

Parte da explicação está na própria estrutura de poder dos clubes.

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O agente turco destaca a presença de grandes empresários nas diretorias, com representantes de setores como construção, joalheria e outras áreas da economia.

“Em todas as diretorias dos clubes, tanto grandes como pequenos, tem um monte de homens de negócio. Eles gostam de futebol, querem estar no meio do futebol e gostam do clube.”

Segundo ele, esses empresários também ajudam financeiramente as equipes, inclusive por meio de acordos comerciais.

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“Na hora de botar dinheiro no clube, eles não têm susto. Colocam valores de 10 milhões, 15 milhões facilmente. Você pode virar patrocinador do clube e colocar dinheiro.”

O empresário afirma ainda que há participação do governo turco no fortalecimento do futebol local.

“Também o governo ajuda bastante os times de futebol para o futebol turco crescer, para o futebol turco conseguir manter o nível. Tem apoio do governo também em vários times”, declarou.

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Dinheiro, Europa e Istambul

O pacote oferecido aos jogadores vai além da conta bancária.

Ao contrário de outros mercados milionários fora do continente, uma transferência para a Turquia mantém o atleta no futebol europeu e abre a possibilidade de disputar Champions League, Europa League ou Conference League.

Há ainda outro fator citado pelos dois entrevistados: Istambul.

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O empresário turco conta que a cidade chega a entrar diretamente nas conversas com jogadores.

“Às vezes estou com proposta para um jogador brasileiro e ele pergunta diretamente: ‘o clube é de Istambul?’.”

Além da qualidade de vida, ele destaca a atmosfera nos jogos.

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“No estádio tem ambiente top, estádios cheios, muito fanáticos. Vivem com futebol.”

O empresário brasileiro também apontou Istambul como um ativo importante para o mercado.

“Istambul é uma cidade maravilhosa para viver.”

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O alerta dos pagamentos

A quantidade de dinheiro movimentada não significa tranquilidade financeira.

Os dois empresários destacaram que atrasos ainda fazem parte da realidade de algumas equipes.

“É um mercado bem complexo de negociar. Em relação ao pagamento, a maioria tem dificuldade de pagar em dia”, afirmou o brasileiro.

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O agente turco também reconheceu o problema.

“A Turquia tem essa imagem de pagar atrasado, realmente. E isso é verdade.”

Ele ressalta que a situação varia de clube para clube.

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“Tem clubes que pagam em dia ou atrasam no máximo uma semana, duas semanas. Mas tem clubes em que isso virou algo normal. Virou a cultura do clube. Atrasar dois meses, três meses.”

Por isso, a situação financeira da equipe costuma ser discutida antes mesmo de o contrato ser assinado.

“No início da negociação eles falam disso, perguntam se o clube paga certinho, se paga em dia.”

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Existem também casos mais extremos.

“Tem clubes que nunca pagam. Todo mundo sabe. Vai atrasar seis meses, vai atrasar um ano. Aí você vai ter que rescindir, vai ter que ir à Fifa.”

Segundo ele, essas situações mais graves estão concentradas em uma parcela menor do mercado.

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Até quando?

É justamente aí que aparece a principal dúvida sobre o fenômeno.

O mesmo empresário que descreve salários milionários e clubes atacando o mercado europeu também vê sinais de um modelo difícil de sustentar por muito tempo.

“Os clubes turcos hoje têm muita dívida. Vivem com dívida. Isso virou algo normal.”

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Para ele, o país atravessa um período excepcional.

“Isso não pode continuar dez anos, vinte anos. Estamos numa fase estranha, numa fase interessante. Isso é fora do normal.”

A conta, segundo o agente, não fecha apenas com as receitas tradicionais do futebol.

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“Eu acho que isso vai morrer algum dia. O que os clubes estão recebendo de futebol, patrocinador e ingresso não tem como pagar tudo isso.”

A tendência, na visão dele, é uma futura desaceleração.

“Daqui a pouco vai começar a cair. Eles vão ter que investir em jogadores mais baratos, vai voltar ao normal.”

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Por enquanto, o movimento segue na direção contrária.

E, apesar da explosão recente, o empresário brasileiro lembra que a relação do país com grandes jogadores não nasceu agora.

“Trabalho com futebol há 20 anos e há 20 anos trabalho com o mercado turco. Sempre teve jogadores brasileiros jogando na Turquia. A Turquia não é uma aventura. É consolidada há muito tempo.”

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