
Governo tenta barrar manipulação no esporte
Fernando Torres/CBF
Os Ministérios do Esporte, da Fazenda e da Justiça instituíram a Política Nacional de Prevenção e Enfrentamento à Manipulação de Resultados Esportivos (PNPEMR) contra fraudes que coloquem em xeque a credibilidade de competições e o mercado de apostas. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (2).
A nova portaria interministerial cria uma rede de proteção que une regulação, monitoramento rigoroso e repressão policial para garantir o chamado "jogo limpo".
Como vai funcionar a fiscalização?
A estrutura de governança divide tarefas entre os principais órgãos do país para cercar qualquer tentativa de aliciamento ou fraude:
Ministério da Fazenda: Terá o papel crucial de monitorar e fiscalizar as apostas de quota fixa (as famosas "bets"). O foco é detectar movimentações financeiras atípicas e padrões de apostas suspeitos em tempo real.
Polícia Federal: Fica responsável por investigar crimes com repercussão interestadual ou internacional, desarticulando organizações criminosas que tentem corromper atletas ou árbitros.
Ministério da Justiça: Coordenará a atuação integrada das forças de segurança em todo o Brasil, garantindo o compartilhamento de inteligência.
Ministério do Esporte: Conduzirá as políticas de integridade e a educação de atletas e gestores.
Proteção ao atleta e canais de denúncia
Um dos pontos altos da nova política é o foco na proteção da dignidade profissional. O governo quer implementar mecanismos que preservem atletas, técnicos e árbitros contra pressões ou aliciamentos ilícitos.
Além disso, a portaria prevê o desenvolvimento de mecanismos eficazes de denúncia, garantindo a proteção total à identidade de quem reportar irregularidades. A ideia é criar um ambiente seguro para que o próprio ecossistema esportivo expulse os "maus jogadores".
Educação e "jogo limpo" desde a base
A PNPEMR não foca apenas na punição. Há uma diretriz forte de educação permanente. O público-alvo prioritário inclui desde crianças e jovens em formação esportiva até familiares e redes de apoio dos atletas profissionais.
O governo pretende incluir conteúdos sobre integridade esportiva em currículos de formação e exigir cláusulas de integridade em contratos e editais públicos vinculados ao esporte.
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