Esportes

Gustavo Gómez publica carta e cobra autoridades por crise no Paraguai

Capitão do Palmeiras fez pronunciamento em nome de jogadores da seleção paraguaia após instabilidade financeira no país

3 min

05/11/2026 10:43 • Atualizado há 1 hora

Gustavo Gómez publica carta e cobra autoridades por crise no Paraguai

Gustavo Gómez, zagueiro do Palmeiras, está convocado para a seleção

Divulgação/Albirroja

Gustavo Gómez, zagueiro e capitão do Palmeiras e seleção do Paraguai, publicou na última quarta-feira (4), em suas redes sociais, uma carta aberta referente a grave crise financeira vivida pelo Paraguai. Nas últimas horas, uma decisão econômica provocou bloqueios de recursos financeiros.

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O documento divulgado pelo defensor foi feito em nome de todos os jogadores da seleção paraguaia e critica diretamente as decisões governamentais no país. Na carta, os atletas pedem que a Justiça aja de maneira imediata para conter os danos causados pela quebra do banco digital Ueno.

"Exigimos firmemente que o governo e a Justiça ajam de maneira imediata, transparente e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente. Não se pode hesitar quando está em jogo o esforço de pessoas honestas", disse.

Durante o pronunciamento, o jogador destaca que assim como a população que mora no país, alguns jogadores também foram prejudicados por esta ação. No entanto, a preocupação neste momento é com a classe trabalhadora do Paraguai que podem ter perdido todas as economias com a quebra do banco.

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"Nossa prioridade absoluta deve ser a população trabalhadora. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas ali. As pessoas de menor poder aquisitivo que hoje estão em situação de extrema vulnerabilidade. São elas que mais precisam de apoio e que devem estar em primeiro lugar diante de qualquer medida que seja tomada.", relatou.

Leia a carta completa:

Ao povo paraguaio:

Somos jogadores da Seleção Paraguaia de Futebol, mas, acima de tudo, somos paraguaios. Filhos desta terra que amamos.

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E hoje, como paraguaios antes de sermos jogadores de futebol, sentimos a necessidade de falar com vocês de coração aberto e sem rodeios, diante da crise financeira que está atingindo nosso país.

Isso nos dói profundamente. Dói ver milhares de famílias passando por angústia, incerteza e preocupação. Ver nossa gente preocupada em conseguir chegar ao fim do mês, com o trabalho e com o futuro de seus filhos. Por trás de cada número existem pessoas, famílias, sonhos e toda uma vida de esforço que merece respeito.

Queremos que saibam de algo com clareza: nós também fomos vítimas dessa situação, assim como inúmeras famílias paraguaias. Compartilhamos a mesma indignação, a mesma preocupação e a mesma dor que hoje afetam tantos compatriotas.

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Mas, neste momento, nossa maior preocupação não somos nós mesmos.

"Nossa prioridade absoluta deve ser a população trabalhadora. Aqueles que tinham as economias de toda uma vida investidas ali. As pessoas de menor poder aquisitivo que hoje estão em situação de extrema vulnerabilidade. São elas que mais precisam de apoio e que devem estar em primeiro lugar diante de qualquer medida que seja tomada."

Por isso, hoje não falamos de futebol. Hoje falamos como povo.

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Exigimos firmemente que o governo e a Justiça ajam de maneira imediata, transparente e sem distinções. Precisamos de uma resposta contundente. Não se pode hesitar quando está em jogo o esforço de pessoas honestas.

Por meio do esporte, entramos em campo todos os dias para mostrar ao mundo nossos valores, nossa garra e nossa verdadeira identidade paraguaia.

Trabalhamos duro para levar a bandeira do nosso país ao lugar mais alto e honrar nossa gente.

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Não é justo, e não vamos permitir, que as ações de alguns poucos indivíduos indignos manchem o nome e a reputação de todo o Paraguai."

Entenda o escândalo do banco digital do Paraguai

O Banco Central paraguaio ordenou o fechamento da instituição financeira após constatar um rombo que ultrapassa R$ 4 bilhões. A investigação aponta que o crescimento acelerado e atípico do banco ocorreu por meio da concessão excessiva de crédito a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, dinâmica que lembra o caso brasileiro envolvendo o Banco Master.

Outro ponto de contato entre os episódios é a captação de recursos. Assim como ocorreu no Brasil, a instituição paraguaia recebeu aportes expressivos de fundos previdenciários, comprometendo as reservas de aposentados.