
Presidente do São Paulo, Julio Casares, durante entrevista coletiva
GABRIEL SILVA/RASPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
A deliberação sobre o afastamento do presidente Julio Casares teve uma nova data definida no Conselho Deliberativo do São Paulo. A nova convocação reforça que a votação será exclusivamente presencial. Existia um pedido para a adoção do modelo híbrido, diante do temor de esvaziamento do encontro.
Na reunião, Casares terá a oportunidade de se defender das acusações apresentadas no requerimento do processo. Ele é acusado de gestão inadequada do orçamento, negociação de jogadores por valores inferiores ao mercado e uso irregular de camarote.
Em seguida, ocorrerá a votação, que será secreta e apenas presencial. Houve confusão em relação ao número de votos exigidos para o afastamento. O artigo 112 do Estatuto do São Paulo estabelece a destituição com o apoio de dois terços (171) dos conselheiros.
No entanto, o texto entra em conflito com o artigo 58, que aponta a destituição como uma das decisões que exigem 75% de aprovação do Conselho Deliberativo. Nesse caso, o total necessário seria de 191 votos, considerando os 255 conselheiros. Esse será o número considerado, pois a convocação da reunião menciona os artigos 63, 79 e 58.
Até 30 dias após a votação no Conselho, deverá ser convocada uma Assembleia Geral de sócios do clube para confirmar a decisão do Conselho Deliberativo. Nessa instância, é suficiente a maioria simples.
O processo foi iniciado por meio de um pedido com 57 assinaturas, sendo que o mínimo exigido era de 50. Entre os opositores de Casares, há a avaliação de que será difícil obter os votos necessários, mesmo diante do desgaste político enfrentado pelo dirigente.
Torcida organizada do São Paulo pede renúncia do presidente Julio Casares
Um dos fatores é o período em que a reunião será realizada, em janeiro, quando parte dos conselheiros estará fora de São Paulo. Olten tinha até o dia 23 para convocar o encontro, respeitando o prazo de 30 dias após o recebimento do pedido de afastamento.
Nesta terça-feira, Casares recebeu apoio do Conselho Consultivo, que divulgou um parecer contrário ao impeachment. Na prática, o documento não tem caráter decisório, mas serve como base para o debate dos votos.
Caso Casares seja afastado pelo Conselho e pela Assembleia, ele também será excluído do clube. Já se houver renúncia, ele permanecerá no Conselho Consultivo. Essa última situação é semelhante à vivida pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar, que em 2015 deixou o cargo sob acusações de desvio de recursos do clube.
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