
Andrea Vavassori e Sara Errani levantando o troféu de duplas mistas do US Open
REUTERS/Mike Segar
Em um US Open cheio de novidades, uma se destacou: as duplas mistas foram jogadas pelos melhores atletas de simples. Apenas com uma exceção, Sara Errani e Andrea Vavassori, os duplistas que defendiam o título da categoria em 2024.
A decisão causou extremo desconforto entre os especialistas em duplas, que perderam um espaço importante para jogadores que já concentram toda a atenção e a maior parte da premiação no circuito. A ideia foi vista como um formato que poderia “salvar” as duplas ao atrair atenção, ou apenas concentrar ainda mais a visibilidade em jogadores famosos.
Uma estratégia clara do Grand Slam norte-americano para atrair público e visibilidade da mídia para o torneio de duplas mistas, que normalmente recebe pouquíssima atenção dos fãs de tênis.
As mudanças começaram já no número de participantes: apenas 16 duplas disputaram o torneio, ao contrário das 32 habituais. Para entrar, oito se classificaram diretamente com base na soma do ranking de simples dos integrantes da dupla, enquanto as outras oito vagas foram wild cards (convites) distribuídos pelo torneio — caso dos campeões. Os jogos também foram encurtados, com sets reduzidos a quatro games, sem vantagem, em melhor de três e com um super tie-break de 10 pontos no lugar do terceiro set.
A dupla italiana venceu na final as estrelas de simples Iga Swiatek e Casper Ruud, 2ª e 11º colocados no ranking, comprovando mais uma vez que jogar duplas exige táticas, movimentações e estratégias específicas. O jogo é diferente.
Errani e Vavassori, em fevereiro, haviam publicado uma carta conjunta dizendo que o novo formato representava uma “injustiça profunda com os jogadores da categoria” e que o torneio havia sido “virado de cabeça para baixo, cancelado e transformado em uma pseudo-exibição focada apenas em entretenimento e show”.
Durante a premiação, com o título defendido, também afirmaram: “Essa vai para todos os jogadores de duplas que não puderam jogar o torneio” e destacaram que a final provou que as duplas são um ótimo produto para o esporte, que merece mais publicidade e atenção.
Se o formato vai se manter, ainda não sabemos. Cenas raras, como o Arthur Ashe Stadium cheio em um jogo de duplas, foram conquistadas com a mudança — mas a que custo?
Um Grand Slam de duplas mistas sendo tratado como um “esquenta” para os jogadores de simples se divertirem em partidas de 50 minutos não parece justo com grande parte dos atletas. Tudo isso na “fan week”, uma semana antes do torneio começar oficialmente.
Se a estratégia visa aumentar a premiação, atrair um público fiel e futuramente devolver os critérios competitivos de classificação aos duplistas, pode ser que o experimento do US Open tenha sido uma jogada de mestre.
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