João Fonseca tem longas pausas questionadas após derrota inesperada na estreia em Toronto
Brasileiro deve deixar o top 50 após derrota e agora se prepara para o Aberto de Cincinnati

João Fonseca foi eliminado na primeira rodada do Masters 1000 de Toronto nesta segunda-feira (28). Perdeu por 2 sets a 0, em parciais de 7/6 e 6/4, em um jogo quase irreconhecível do brasileiro. Com dificuldade nas devoluções e sem a intensidade à qual estamos acostumados, o que chamou a atenção de muitos foi o tempo que João teve para se preparar para o torneio, que marcou a transição entre os torneios de grama e a quadra rápida para o atleta.
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Após a eliminação em Wimbledon no dia 4 de julho, João não jogou os torneios de saibro que ocorreram nas duas últimas semanas, nem o ATP 500 de Washington, que já marca o início da gira norte-americana nas quadras rápidas. Voltou apenas para o Aberto do Canadá após 24 dias, que foram divididos entre uma semana de descanso, outra de treino no Rio de Janeiro e a ida antecipada para Toronto.
O circuito da ATP vai do início de janeiro até o final de novembro, é extremamente exaustivo, e reclamações por parte dos jogadores não faltam. A decisão da comissão técnica de João de ter pausas maiores do que a maioria dos outros jogadores leva em consideração tanto a preparação mental quanto a física. Fonseca, com apenas 18 anos, já é uma das maiores sensações do tour, e se “proteger” da exaustão e da pressa no início da carreira pode ser uma estratégia que resulte em um atleta mais bem preparado para lidar com a pressão. Além do cuidado com seu corpo — uma vez que o tênis está cada vez mais físico e intenso —, uma lesão agora pode perseguir o atleta pelo resto de sua trajetória.
João deve deixar o top 50 a partir do dia 4 de agosto, já que não conseguiu defender os 75 pontos que conquistou ao vencer o Challenger de Lexington nesta mesma semana no ano passado. Ele somou apenas 10 pontos ao jogar hoje; então, tendo 65 subtraídos de sua pontuação geral, fica em 52° no ranking.
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Pensando em sua evolução como jogador, a saída do top 50 pouco importa. Seu segundo ano no tour, com uma ascensão explosiva, já é marcado por diversas conquistas mais importantes do que 100 pontos a mais ou a menos. É o momento de coletar novas experiências, novos torneios, começar a se acostumar com grandes jogos em grandes palcos. E, nesse processo, também teremos derrotas inesperadas, más atuações e dias ruins. Tentar atender às expectativas irreais da torcida brasileira é algo que, felizmente, não parece estar nos planos de João.
Após sua eliminação na terceira rodada de Roland Garros, em junho, João falou sobre seu objetivo até o final da temporada:
“Quero jogar os grandes torneios, estar nas chaves principais, jogar todos os ATP 500. Talvez chegar ao top 40. No final do ano, o meu objetivo é ser um cabeça de chave na Austrália. Eu sei que precisamos de tempo e resultados, mas esse é meu objetivo pessoal”, disse em coletiva após o jogo.
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Para ser cabeça de chave no Aberto da Austrália, João precisa estar entre os 32 melhores do ranking. É um objetivo muito desafiador, porém alcançável. Até o Grand Slam australiano, ele defende 185 pontos no ranking, mas já tem alguns garantidos por se classificar diretamente para as chaves principais dos torneios que ainda joga neste ano.
