Jogo Aberto

Líder da arbitragem da CBF já "paquerou" Luxa e foi escolhido por Ednaldo

Rodrigo Cintra assumiu o comando da Comissão de Arbitragem no começo do ano e prometeu melhorias

Allan Brito
ALLAN BRITO

06/10/2025 • 22:56 • Atualizado em 06/10/2025 • 22:56

Rodrigo Cintra em período de preparação dos árbitros antes do Brasileirão

Rodrigo Cintra em período de preparação dos árbitros antes do Brasileirão

Rafael Ribeiro/CBF

A 27ª rodada do Brasileirão jogou os holofotes na arbitragem brasileira. Os juízes foram muito criticados em partidas diferentes. A Comissão de Arbitragem da CBF tem um grande problema para resolver. E quem lidera esse grupo é Rodrigo Cintra, ex-juiz que já se envolveu em polêmicas e chegou ao cargo atual durante a gestão de Ednaldo Rodrigues.

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Rodrigo Cintra teve uma carreira precoce como juiz: começou a apitar na Série A do Campeonato Brasileiro com 24 anos. Surgiu como promessa, se firmou na elite, mas se envolveu em polêmicas de grande repercussão.

"Paquera" com Luxemburgo

Uma das polêmicas mais lembradas sobre Rodrigo Cintra aconteceu em 2006, quando o técnico Vanderlei Luxemburgo estava no Santos e foi reclamar da arbitragem em um clássico contra o São Paulo.

"O que eu não gostei foi ele me paquerar dentro de campo. Ele apitava e olhava pra mim em toda falta que marcava. Ele (Rodrigo Cintra) não parava de olhar para mim. Eu não sou viado. Talvez seja pela minha camisa rosa", disse Luxa na época.

Rodrigo Cintra chegou a processar o técnico por causa dessa declaração, mas depois houve acordo na Justiça.

Piloto de avião?

Outra história chamativa sobre Rodrigo Cintra aconteceu em 2009, quando ele apitou um jogo do Botafogo contra o Grêmio. O time carioca ficou revoltado e criticou Cintra por causa de gols polêmicos e um pênalti não marcado.

Rubens Lopes, presidente da Federação do Rio de Janeiro, soltou uma pérola: "Se Rodrigo fosse um piloto de avião, certamente teríamos tido um desastre aéreo".

Nova carreira

Rodrigo Cintra se preparou e estudou para a vida depois da carreira de árbitro. Ele já tinha se formado em educação física e passou a fazer pós-graduações. Aprendeu sobre administração e marketing esportivo. Começou a se envolver em organizações de eventos esportivos, inclusive na Copa do Mundo de 2014, na sede baiana.

Indicação de Ednaldo

Pouco antes de sair da presidência da CBF, em fevereiro deste ano, Ednaldo Rodrigues decidiu mudar o comando da arbitragem brasileira. Ele tirou Wilson Luiz Seneme, que ficou por 3 anos na função, e colocou Rodrigo Cintra.

Quando assumiu a Comissão de Arbitragem, Rodrigo prometeu que a profissionalização dos juízes árbitros acontecerá até o final de 2026. Mas explicou que, antes, era preciso "organizar a casa".

Ele realizou um grande evento de preparação dos árbitros, antes do Campeonato Brasileiro, com 72 participantes.

Outra promessa de Rodrigo foi criar um ranking de desempenho dos árbitros, que serviria para definir as escalas. Se isso foi criado, nunca foi divulgado.

Atualmente Rodrigo é quem decide quais juízes vão apitar as partidas. E também diz que acompanha as partidas em campo para entender os desafios dos juízes.

Depois que Samir Xaud assumiu a presidência, nada foi alterado na Comissão de Arbitragem. Ele prometeu melhorias, como a implantação do impedimento semi automático em 2026. Também disse que é a favor da profissionalização dos árbitros, mas não estabeleceu um prazo para que isso aconteça.

Quem faz parte da Comissão de Arbitragem?

Outro nome importante da Comissão é Péricles Bassols, que foi o primeiro juiz a comandar o VAR no futebol brasileiro. Agora ele é gerente técnico do VAR dentro da Comissão. O sistema de vídeo tem sido altamente criticado no Brasil.

Outros membros da Comissão de Arbitragem são os ex-juízes Luiz Flávio de Oliveira, Marcelo Van Gasse, Fabrício Vilarinho e Luiz Carlos Câmara Bezerra - todos anunciados como integrantes de uma comissão técnica multidisciplinar.

Ednaldo também anunciou que dois estrangeiros formariam um Comitê Internacional para fazer relatórios sobre a arbitragem brasileira. O argentino Nestor Pitana, que apitou a final da Copa do Mundo de 2018, e o italiano Nicola Rizzoli, que apitou a final da Copa de 2014, seriam os responsáveis por isso. Mas isso nunca se tornou público.

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