
Atlético-MG comprou Deyverson, mas não pagou todas parcelas
AssCom Dourado
O Atlético-MG foi intimado a pagar uma dívida que tem com o Cuiabá desde 2024, por causa da contratação do atacante Deyverson. O Galo reclamou do vazamento dessa informação e prometeu se manifestar na CNRD (Câmara Nacional de Resoluções e Disputas), órgão criado pela CBF para resolver conflitos como esse.
"O processo arbitral é sigiloso e nos causa estranhamento o vazamento de informações e ordens processuais sigilosas. O Atlético se manifestará perante a CNRD no prazo legal", informou o clube.
A dívida é de R$ 4,7 milhões, além de R$ 228 mil de custas. O Cuiabá informou que vai exigir o pagamento integral, sem parcelamento.
O prazo mais recente para pagamento da dívida era 7 de outubro. Agora o clube foi intimado a apresentar o comprovante de pagamento até o dia 27 deste mês.
Essa dívida começou porque, em 2024, o Atlético-MG comprou Deyverson por R$ 4 milhões, parcelado em 5 vezes. Mas só pagou a 1ª parcela, de R$ 500 mil.
Com os atrasos, o Cuiabá começou a cobrar o Galo. Em 29 de agosto deste ano, o Atlético-MG foi condenado pela CNRD a quitar o pagamento. Mas não cumpriu isso até 7 de outubro.
O que pode acontecer com o Atlético-MG?
Se não pagar, o Atlético-MG sofrerá uma advertência e terá um novo prazo para ajustar a situação.
Caso o Galo descumpra o acordo mais uma vez, sofrerá um transferban - a proibição de registrar novos jogadores.
Posição do Cuiabá
O Cuiabá diz que recorreu ao mercado financeiro para poder equilibrar as contas em 2025, por causa do não pagamento de dívidas. O clube também é credor de mais de R$ 40 milhões referentes a negociações de jogadores seus com equipes brasileiras.
Segundo o Cuiabá, Corinthians (R$ 18,5 milhões), Santos (R$ 16,3 milhões), Atlético-MG (R$ 4,7 milhões) e Grêmio (R$ 700 mil) não honrarem os compromissos com o Cuiabá.
Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, lamenta a situação: "Essas inadimplências nos atrapalham. Mesmo tendo muito dinheiro para receber, a gente teve que fazer algumas operações de crédito para equilibrar o dia a dia do clube. Vemos todos os dias que os clubes não param de contratar, devendo, e não pagam. É uma pena. Essa desregulagem financeira que existe no mercado do futebol brasileiro".
De acordo com Dresch, a CBF precisa fazer com que a CNRD seja mais rígida na aplicação das leis já existentes: "Eu espero que a CBF tire do papel as regras que ela já possui. E equilibre um pouco mais essa balança, porque os clubes com menos dinheiro, com menos capacidade de arrecadação, sofrem muito a questão do fluxo de caixa. Buscam o mercado financeiro e acabam pagando juros".
Dresch explica que as principais receitas são oriundas dos direitos de transmissão, patrocínios e placas de publicidade e ajudam a manter o equilíbrio nas contas, tendo a venda de atletas como um dos principais trunfos para poder se extrair algum tipo de lucro.
"Um clube como o Cuiabá precisa focar nisso porque dificilmente vai conseguir competir com os outros clubes nessas receitas recorrentes, então, você precisa investir bastante na formação de atletas e poder ter jogadores que o mercado quer comprar. E é isso que a gente tem feito", explicou, lembrando que todo o lucro conquistado pelo clube é repassado para melhorias na estrutura.
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