Jogo Aberto

Do mapeamento genético à neurociência: times mudam preparação de atletas

Inovação se consolida como aliada estratégica para Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras

Por Redação
REDAÇÃO

29/09/2025 • 20:48 • Atualizado em 29/09/2025 • 20:48

Aparelho Keiser, do Flamengo, custou R$ 500 mil

Aparelho Keiser, do Flamengo, custou R$ 500 mil

Reprodução / FlamengoTV

Em 2025, diversos clubes brasileiros intensificaram os investimentos em tecnologia para aprimorar a preparação física e mental dos atletas. O Flamengo, atual líder do Brasileirão, é um dos que têm buscado soluções modernas que vão além do desempenho em campo, contemplando também aspectos como saúde, sono e prevenção de lesões. Corinthians, Mirassol, São Paulo e Palmeiras seguem a mesma linha, ampliando suas estruturas com foco em inovação.

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No caso do Flamengo, o clube fechou nos últimos dias a compra de oito máquinas da marca Keiser, instaladas no CT Ninho do Urubu. O rubro-negro desembolsou US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,4 milhões) com os equipamentos de ponta que permitem treinos de força, potência e aceleração com alta precisão, além de medir o equilíbrio entre as pernas dos atletas. O clube carioca é o primeiro do Rio de Janeiro a contar com essa tecnologia.

Já o Corinthians negocia a compra de uma tecnologia inovadora para recuperação física e mental: a máquina Acqua Float, com custos entre R$ 120 mil e R$ 150 mil. O equipamento, aprovado pelo departamento médico e pelo técnico Dorival Júnior, consiste em uma cápsula de flutuação com água e sal, que promove relaxamento muscular, acelera a recuperação e oferece benefícios psicológicos, como a redução do estresse e da ansiedade. Embora consolidada há décadas no exterior, a tecnologia ainda é novidade no Brasil. O Mirassol foi pioneiro na América Latina ao utilizá-la em 2024, e o Fluminense também avalia a aquisição.

Também na Série A, o Mirassol, além de ser o primeiro a investir na Acqua Float, desembolsou R$ 150 mil, em abril deste ano, na compra de cerca de 50 anéis inteligentes de monitoramento do sono, utilizados quase 24 horas por dia pelos jogadores. Os dispositivos coletam dados sobre frequência cardíaca e estágios do sono, como REM e profundo, possibilitando análises detalhadas que impactam diretamente na performance e na prevenção de lesões.

“A busca por novas estratégias para otimizar a preparação dos atletas é constante entre os clubes, devido às exigências do futebol moderno. Nesse contexto, a ciência deve cada vez mais se fazer presente para que os atletas possam ter algum ganho competitivo, o que inclui uma abordagem holística em torno de aspectos como a nutrição, qualidade de sono, psicologia e até mesmo a neurociência”, afirma Túlio Horta, COO e Head de Operações da Volt Sports Science, plataforma de saúde e serviços para atletas de futebol de elite.

As recentes inovações, inclusive, não se limitam à recuperação e ao bem-estar. O São Paulo, por exemplo, inaugurou laboratórios de análise com foco no recrutamento de jovens atletas, mostrando que a tecnologia pode atravessar todos os setores de uma instituição esportiva. O investimento mensal está em torno de R$ 20 mil.

Além disso, o clube paulista iniciou um projeto de mapeamento genético dos atletas em parceria com a Sommos. A proposta é usar os dados de DNA para adaptar treinos, prevenir lesões e melhorar o rendimento esportivo. A primeira etapa já envolveu 50 jogadores das categorias de base, entre feminino e masculino, e a próxima fase será aplicada ao elenco profissional.

Segundo o departamento médico, responsável pela iniciativa, a ideia é individualizar o cuidado com os atletas, ajustando cargas de trabalho e rotinas de recuperação conforme a predisposição genética de cada jogador. A coleta é feita por raspagem bucal, com resultados processados em laboratório, e cada atleta passa depois por consulta com um especialista em genética esportiva. O clube já concluiu a fase de aconselhamento genético com os jovens da base e espera finalizar os exames com o time principal nas próximas semanas.

Outro exemplo é o Palmeiras de Abel Ferreira, que tem a neurociência como carta na manga em sua preparação. O clube investiu cerca de R$ 5 milhões em tecnologias que envolvem desde o uso de eletrodos para estimular áreas do cérebro até a realidade virtual, que permite simulações de situações de jogo em frações de segundo. A proposta é potencializar a recuperação pós-jogo, melhorar a capacidade de tomada de decisão e aumentar o foco em momentos de alta pressão.