Jogo Aberto

Como a Ponte subiu com três meses de salários atrasados? Técnico revela detalhes

Trabalho psicológico e acordo com jogadores foram algumas estratégias utilizadas por Marcelo Fernandes

Allan Brito
ALLAN BRITO

09/10/2025 • 23:20 • Atualizado em 09/10/2025 • 23:20

A Ponte Preta viveu uma das histórias mais impressionantes do futebol brasileiro em 2025: os jogadores ficaram com três meses de salários atrasados, mas mesmo assim conseguiram o acesso para a Série B. Em entrevista ao Band.com.br, o técnico atual do time, Marcelo Fernandes, explicou como conseguiu lidar com isso na fase decisiva. O time ainda está na briga pelo título. O último jogo da primeira fase será neste sábado: um grande clássico contra o Guarani, às 17h, com transmissão do Band.com.br e do Bandplay.

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Trabalho psicológico, ajuda financeira e acordo com os jogadores foram algumas estratégias importantes. Mas, acima de tudo, Marcelo Fernandes elogiou o elenco da Ponte: "O mais importante nisso tudo foi encontrar um grupo muito profissional".

Trabalho psicológico

Marcelo Fernandes começou a Série C no rival Guarani, mas assumiu a Ponte Preta na reta final da primeira fase. O treinador anterior, Alberto Valentim, tinha saído para assumir outro clube, o América-MG. Então, o elenco estava abalado inicialmente.

"Encontramos um grupo fragilizado. Não no sentido de personalidade, mas já vinha de três resultados que não estavam sendo ok. Mas conseguimos já no primeiro jogo uma vitória. A gente implantou aquilo que a gente pensa", lembra Marcelo.

Questionado se foi necessário fazer um trabalho mais voltado ao lado psicológico, o técnico lembrou que costumava assumir o Santos em momentos de crise. Então, explicou como faz essa abordagem. "É a sinceridade. O jogador gosta de ver a lealdade do comandante. É ser honesto tempo todo e não ter desvio de caráter. Tem que jogar a realidade dos dois lados: tanto do não pagamento do salário, mas também do momento importante para carreira de cada um".

Ajuda financeira para o básico

Nem todos jogadores possuem recursos para sobreviver sem salários. Marcelo contou que a direção ajudou praticamente todos atletas para que não faltasse o básico.

O presidente procurou sanar algumas pendências, mesmo que não fosse com o salário completo. Posso te dizer que poucos jogadores não foram ajudados pela direção do clube. O presidente não deixou chegar em nenhum limite extremo. Isso colabora para que todos possam treinar com o mínimo possível, para ter dignidade como atleta profissional.”

Acordo com jogadores

Uma tática comum nesses casos é fazer acordos para que os jogadores saibam quando vão receber algo. Marcelo confirmou que isso foi feito e destacou que agora a Ponte terá mais recursos para cumprir esses combinados.

"Isso também é uma estratégia. E você vê agora, com esse acesso garantido, já dá R$ 12 milhões para o ano que vem. É uma arma que o presidente terá para sanar essas dívidas. Dá para adiantar o dinheiro e quitar", explicou.

Ponte x Guarani

Apesar de ter garantido o acesso, a Ponte ainda busca a vaga na final da Série C. Para isso, precisa pelo menos empatar com o Guarani no jogo deste sábado. O Bugre ainda não está com o acesso garantido. E Marcelo Fernandes destaca a importância de atrapalhar o rival e ainda chegar na final.

"Seria um título nacional, algo que a Ponte Preta não tem. E para nós, da comissão técnica, e para todos jogadores, é muito importante. É gravar esse título na história da Ponte Preta. Será marcado para o resto da vida", concluiu.