
Portuguesa x Corinthians pelo Paulistão teve presença das duas torcidas
Divulgação/Portuguesa
Resumo
Proposta de revisão da política de torcida única em clássicos paulistas prevê retorno escalonado de torcedores visitantes, elaborada por Renan Bohus da Costa e a Anatorg, e será enviada à Polícia Militar, Ministério Público e FPF.
Modelo de eventos-testes sugere presença de até 10% de visitantes em arenas, com acesso restrito a sócios e torcedores organizados cadastrados, uso obrigatório de reconhecimento facial e logística de segurança reforçada, defendendo responsabilização individual em vez de punição coletiva.
Debate sobre eficácia da torcida única destaca queda de violência dentro dos estádios, mas aponta deslocamento dos conflitos para fora das arenas, citando exemplos de jogos com torcidas mistas em outros estados e divergências judiciais após recentes episódios de violência envolvendo torcedores.
Após dez anos de vigência, a política de torcida única nos clássicos de São Paulo pode ser revista. Uma proposta elaborada pelo advogado Renan Bohus da Costa, em conjunto com a Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), sugere o retorno escalonado de torcedores visitantes aos estádios paulistas. O projeto será encaminhado à Polícia Militar, ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol (FPF).
Modelo de jogos-testes e tecnologia
A proposta estabelece a realização de eventos experimentais onde a torcida visitante ocuparia até 10% da capacidade das arenas. O acesso seria controlado por critérios rigorosos:
- Prioridade: Ingressos destinados a sócios e membros de torcidas organizadas cadastrados.
- Identificação: Uso obrigatório de tecnologia de reconhecimento facial, conforme exigido pela Lei Geral do Esporte para arenas com mais de 20 mil lugares.
- Logística: Delimitação de setores e definição de rotas seguras coordenadas pelas forças de segurança.
A iniciativa defende que a tecnologia permite a responsabilização individual, substituindo a lógica da punição coletiva que fundamenta a proibição atual.
Eficácia da medida em debate
Implementada em 2016 pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) após conflitos fatais em um clássico entre Palmeiras e Corinthians, a torcida única é aplicada aos quatro grandes clubes da capital e ao Dérbi Campineiro.
O projeto questiona a estatística de redução da violência. Embora os episódios dentro dos estádios tenham caído de 39,3% para 10,7%, o documento argumenta que o critério ignora confrontos ocorridos fora do perímetro imediato das arenas. O texto sustenta que a violência foi apenas deslocada para outros pontos do espaço urbano.
Jogos-testes com torcidas
O delegado Cesar Saad, do DRADE (Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva), informou no domingo (22) que a Polícia Civil de São Paulo estuda a realização de 'jogos testes' com torcidas rivais em clássicos paulistas.
"Isso já vem sendo debatido como uma das ideias. O projeto, como falei, envolve todas as agências, as forças de segurança, clubes e federações para realização de 'jogos testes'", afirmou, em entrevista ao Domingo Esportivo Bandeirantes.
Exemplos de sucesso e divergências judiciais
O documento cita eventos recentes fora de São Paulo como provas de viabilidade, como a Supercopa Rei de 2024, disputada por Corinthians e Flamengo em Brasília, e o confronto entre Palmeiras e São Paulo no Mineirão em 2023, ambos com torcidas divididas.
Por outro lado, a proposta surge em um momento de pressão contrária. No fim de 2024, após emboscada na rodovia Fernão Dias envolvendo torcedores de Palmeiras e Cruzeiro, a Justiça de São Paulo discutiu a ampliação da torcida única para jogos de nível nacional realizados na capital paulista, visando partidas contra o Flamengo e o próprio Cruzeiro.
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