
Julio Casares, presidente do São Paulo
Divulgação / SPFC
A Justiça de São Paulo encaminhou a investigação que apura um suposto esquema de desvio de verbas no São Paulo para uma Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores. A medida ocorre às vésperas da reunião do Conselho Deliberativo que pode decidir pelo afastamento do presidente Júlio Casares. A informação foi divulgada pelo UOL e confirmada pelo Estadão, com anuência do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que intensificou recentemente as apurações ao criar uma força-tarefa específica para o caso.
Saques em dinheiro vivo entram no foco da apuração
A Polícia Civil de São Paulo investiga a retirada de cerca de R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do clube entre 2021 e 2025, período que coincide com a atual gestão. Segundo o inquérito, os valores foram sacados por meio de 35 operações realizadas diretamente na boca do caixa, procedimento que dificulta o rastreamento da destinação final dos recursos.
De acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), as movimentações foram consideradas atípicas pelas instituições financeiras responsáveis pelas contas do clube. A defesa do São Paulo afirma que os valores teriam sido utilizados para “compromissos rotineiros do futebol que exigem pagamento em espécie”, versão que segue sob análise das autoridades.
Movimentações na conta do presidente também são analisadas
O inquérito também apura depósitos que somam aproximadamente R$ 1,5 milhão na conta pessoal de Júlio Casares entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Segundo o Coaf, os valores ingressaram por meio de 132 operações em dinheiro vivo, consideradas incompatíveis com a remuneração mensal do dirigente, fixada em R$ 27,5 mil.
A defesa do presidente sustenta que o montante tem origem lícita. De acordo com o advogado Bruno Borragine, os recursos seriam provenientes de economias acumuladas por Casares ao longo de sua atuação no mercado privado, antes de assumir a presidência do clube. A equipe jurídica informou que trabalha com um perito contador para comprovar origem, lastro e finalidade das quantias.
Empresas terceirizadas e camarotes também entram na investigação
A apuração conduzida pela Polícia Civil também alcança empresas terceirizadas que prestam serviços ao São Paulo Futebol Clube. Entre elas está a Off Side Logística Esportiva, responsável por operações de logística em partidas de clubes da Série A, citada no inquérito como possível intermediária irregular. A empresa nega qualquer irregularidade.
Dirigentes do clube, como Carlos Belmonte e Rui Costa, também são mencionados nas investigações e afirmam que não houve qualquer prática ilegal envolvendo contratos ou repasses financeiros.
Em nota oficial, a Off Side afirmou que atua no mercado de logística esportiva desde o ano 2000, acumulando mais de 25 anos de atividades pautadas pela idoneidade, profissionalismo e cumprimento rigoroso das normas legais e institucionais. Segundo a empresa, ao longo desse período foram prestados serviços a diversos clubes e entidades do futebol brasileiro e sul-americano, sempre por meio de contratos formais, com execução efetiva dos serviços, emissão regular de notas fiscais e total transparência operacional e financeira.
Ainda de acordo com o posicionamento oficial, a atuação da Off Side é restrita à logística terrestre, sem envolvimento em operações financeiras ou qualquer tipo de intermediação fora do escopo técnico contratado. A empresa informa que mantém relação profissional com o São Paulo há mais de 20 anos, baseada em critérios técnicos, planejamento operacional e no cumprimento integral das obrigações legais e contratuais, sem histórico de questionamentos por parte de autoridades ou parceiros institucionais.
A Off Side também declarou que, caso exista qualquer investigação ou solicitação de informações por órgãos de controle, recebe essas iniciativas com tranquilidade, afirmando ter convicção de que eventuais apurações irão confirmar a lisura de sua atuação e a inexistência de repasses a dirigentes ou práticas ilegais.
Paralelamente, a Polícia Civil analisa um esquema clandestino de comercialização de camarotes no Morumbi em noites de shows. Dois diretores flagrados em gravações, Mara Casares e Douglas Schwartzmann, se afastaram de seus cargos. O MP-SP solicitou a abertura de um inquérito específico, enquanto o clube instaurou sindicâncias internas e externas para apuração.
Conselho vota impeachment nesta sexta-feira
O Conselho Deliberativo do São Paulo se reúne nesta sexta-feira, dia 16, para votar o pedido de impeachment de Júlio Casares. A votação será realizada de forma híbrida, com participação presencial e virtual, após a Justiça negar recurso do clube que solicitava sessão exclusivamente presencial. Caso a destituição seja aprovada, Casares será afastado de forma provisória até a decisão final da Assembleia Geral.
Com Agência Estado
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