
Diego Maradona morreu quando se recuperava de cirurgia
REUTERS/David Moir
O neurocirurgião argentino Leopoldo Luque negou qualquer responsabilidade pela morte de Diego Maradona, em depoimento prestado nesta quinta-feira (16), em um tribunal de San Isidro, na Grande Buenos Aires. O novo julgamento apura eventuais falhas no atendimento ao ex-jogador.
"Sou inocente e lamento profundamente sua morte", declarou Luque, um dos principais acusados no processo e médico pessoal de Maradona na época do falecimento, em novembro de 2020.
O ídolo argentino morreu de um ataque cardíaco em 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, enquanto recebia cuidados domiciliares em uma casa nos arredores de Buenos Aires. Ele se recuperava de uma cirurgia para remoção de um hematoma subdural realizada duas semanas antes em uma clínica.
Luque afirmou que não definia as rotinas de tratamento na casa onde o ex-jogador estava internado. "Eu nunca conversei com nenhuma enfermeira sobre cuidados domiciliares porque sou neurocirurgião e não era responsável por esses cuidados", disse.
O médico também contestou versões segundo as quais concentraria todas as decisões sobre o paciente. "Quanto à alegação de que ‘Luque decide tudo, faz tudo’, sou neurocirurgião especializado em cirurgia da coluna", ressaltou.
Ele ainda declarou que Maradona não tomava medicação para problemas cardíacos desde 2007. Segundo Luque, naquela época o responsável pelo acompanhamento clínico era o médico Alfredo Cahe, já falecido, que cuidou do ex-jogador por décadas e chegou a criticar a equipe que o atendeu nas últimas semanas de vida.
Na acusação, o promotor Patricio Ferrari descreveu as condições de atendimento na residência como precárias. Para ele, ali atuou "um grupo de amadores" que deixou de cumprir suas obrigações, teria "abandonado" Maradona e o "condenado à morte".
Acusados de homicídio com dolo
Além de Luque, respondem no caso a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Díaz, os médicos Nancy Forlini e Pedro Di Spagna, o representante da empresa de enfermagem Mariano Perroni e o enfermeiro Ricardo Almirón. Todos atuaram, em diferentes funções, nos cuidados ao ex-jogador em casa.
O grupo é acusado de homicídio simples com dolo, quando o agente assume o risco de causar o resultado ao manter determinada conduta. A pena máxima prevista para o crime chega a 25 anos de prisão.
Este é o segundo julgamento sobre a morte de Maradona. As autoridades anularam o primeiro, quase um ano atrás, após identificarem má conduta de um juiz que integrava o colegiado responsável pelo caso.
Laudos, foto do corpo e depoimentos da família
Luque também rejeitou conclusões de um laudo oficial elaborado por cerca de 20 peritos, que apontou edema pulmonar e uma agonia prolongada de pelo menos 12 horas antes da parada cardíaca. Ele classificou essa descrição como algo "inédito" na sua experiência.
O neurocirurgião comentou ainda a foto do corpo de Maradona que veio à tona em 2025, na qual o ex-jogador aparece com grande inchaço. Segundo Luque, o aspecto não indicaria um quadro não identificado pelos profissionais, mas seria resultado das manobras de ressuscitação feitas minutos antes e depois da morte.
"Ele foi reanimado por pelo menos uma hora; reanimaram-no, pararam por um segundo e, a pedido da família, reanimaram-no novamente; quem sabe que alterações isso produz no corpo", afirmou.
Luque depôs após um pedido de sua defesa para antecipar o pronunciamento, o que gerou tensão com advogados da acusação. Ele informou que não responderia a perguntas dos juízes, e o colegiado aceitou a condição, reconhecendo o direito de qualquer réu.
Com isso, o tribunal adiou para a próxima terça-feira os depoimentos de três testemunhas, entre elas Giannina Maradona, uma das filhas mais velhas do ex-jogador. No julgamento anterior, ela e a irmã afirmaram que Luque recomendou os cuidados domiciliares e que, nesse período, viram o pai em situação de abandono.
Com Estadão Conteúdo
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