Copa do Mundo

Crise na Argentina: Messi, AFA sob investigação e torcida pressionam equipe

Goleada no último amistoso não apaga problemas vividos pelos atuais campeões do mundo

Da redação
DA REDAÇÃO

01/04/2026 • 11:15 • Atualizado em 01/04/2026 • 11:25

Jogadores da Argentina comemoram gol sobre Zâmbia na última Data Fifa

Jogadores da Argentina comemoram gol sobre Zâmbia na última Data Fifa

REUTERS/Rodrigo Valle

Resumo

Uma crise institucional abala a Argentina após a vitória por 5 a 1 sobre a Zâmbia, marcada por críticas internas ao desempenho técnico e incertezas sobre a participação de Lionel Messi na Copa de 2026, diante da cautela do técnico Lionel Scaloni e do descontentamento do goleiro Dibu Martínez com a atuação da equipe.

Uma investigação judicial atinge a Associação de Futebol da Argentina (AFA) e seu presidente Claudio Tapia por supostas fraudes e sonegação, levando à paralisação de todas as competições nacionais, apoiada por quase todos os clubes, em protesto contra ações do governo e a proposta de transformar clubes em sociedades esportivas.

Uma pressão crescente da torcida, aliada ao bloqueio financeiro da AFA, força o elenco liderado por Rodrigo De Paul a buscar união e estabilidade, enquanto a seleção tenta se blindar das polêmicas e transformar a instabilidade em motivação para defender o título mundial em 2026.

A Argentina, que encantou o planeta ao conquistar a Copa do Mundo de 2022, atravessa seu momento mais turbulento às vésperas do novo Mundial. O que deveria ser um período de festa após a goleada de 5 a 1 sobre a Zâmbia, nesta terça-feira (31), transformou-se em um cenário de guerra institucional, críticas pesadas ao desempenho técnico e incertezas sobre o futuro de Lionel Messi.

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Messi na Copa de 2026? Scaloni evita garantias

O clima de desconfiança aumentou após o técnico Lionel Scaloni adotar um tom cauteloso sobre a presença do capitão no próximo Mundial. A recusa do treinador em garantir o craque no elenco abriu espaço para especulações que agitam a imprensa argentina.

Dentro de campo, as críticas também vêm de dentro. O goleiro Dibu Martínez não poupou a atuação contra Mauritânia:

"Para ser sincero, foi bem fraco. Foi uma das piores partidas que já fizemos em amistosos. Faltou intensidade, faltou jogo, faltou velocidade. Precisamos mostrar um pouco mais de garra", desabafou o arqueiro.

De Paul pede união contra "polêmicas que destroem"

Principal porta-voz do elenco em meio ao caos, o volante Rodrigo De Paul concedeu entrevista ao jornal Olé pedindo uma trégua nas críticas externas para proteger o que foi construído pelo grupo.

"Que as pessoas entendam. No final, às vezes é um país que, em vez de se unir, muitas vezes destrói ou gera polêmicas. Nós viemos para jogar futebol e defender o país da forma que sabemos fazer. Se quisermos defender o que conquistamos, todo o país precisa estar unido", afirmou o meio-campista.

AFA investigada e futebol paralisado na Argentina

A crise ganha contornos dramáticos fora das quatro linhas. A Associação de Futebol da Argentina (AFA) e seu presidente, Claudio Tapia, são alvos de uma investigação judicial por supostas irregularidades tributárias bilionárias. O bloqueio de bens de dirigentes e ações de busca e apreensão motivaram uma medida drástica: a interrupção de todas as competições nacionais como forma de protesto.

A paralisação teve o apoio de quase todos os clubes, com exceção do Estudiantes. A AFA alega perseguição política em meio ao embate com o governo argentino sobre a transformação dos clubes em sociedades esportivas, modelo rejeitado pela entidade.

O que esperar da Seleção Argentina agora?

Com o bloqueio financeiro da federação e a pressão da torcida — que chegou a interromper a coletiva de Scaloni para reclamar do nível dos adversários escolhidos —, a seleção albiceleste tenta blindar o elenco. O desafio agora é transformar a instabilidade em combustível para defender o título mundial em poucos meses.

Com informações da Estadão Conteúdo