Primeira mulher presidente do Coritiba explica como ajudou no sucesso do time
SAF do Coritiba tinha acumulado resultados ruins, mas agora lidera a Série B com a presidência de Marianna Libano

O Coritiba virou SAF em 2023 - ou seja, 90% do futebol foi vendido para a Treecorp e 10% ficou com a associação. Mas o Coxa só acumulou decepções depois disso. Foi rebaixado na Série A de 2023 e fez uma campanha decepcionante na Série B de 2024. Em 2025, porém, o Coxa lidera a Série B e está prestes a subir. Os donos da SAF não mudaram. Mas mudou a presidência da associação, que agora tem uma mulher à frente. Marianna Libano deixa claro que não foi a única responsável por essa evolução. Mas explicou ao Band.com.br como conseguiu ajudar no sucesso do Coxa.
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"Não tem como a gente falar que foi só uma coisa que aconteceu. Não foi simplesmente o papel da associação. Ou simplesmente o papel da torcida. Ou simplesmente a chegada da Outfield. Eu acho que isso é muito raso e seria desonesto de minha parte de falar alguma coisa nesse sentido. Mas foi uma mudança gradual ao longo do tempo, com a inserção da cultura coxa branca, que fez diferença. Bem como a abertura deles (SAF) também para ouvir aquilo que a gente estava sugerindo", explicou a primeira mulher a presidir o Coritiba na história.
Aproximação e comunicação
Marianna foi eleita como presidente do Coritiba em dezembro de 2024. Tinha como objetivo se aproximar dos donos da SAF e conseguiu: "Estamos conseguindo atingir os nossos objetivos para ter uma associação mais atuante, que leve os princípios básicos para a SAF e trabalhe de forma muito profissional".
O começo de ano não foi bom para o Coritiba, com eliminações precoces no Campeonato Paranaense e na Copa do Brasil. Segundo Marianna, foi nesse momento que a associação precisou agir e começou uma mudança.
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"Mesmo sem saber se seríamos atendidos, logo após a eliminação do Coritiba na Copa do Brasil, a gente pediu uma reunião de urgência com os gestores da Treecorp. Conseguimos conversar com eles e levamos bastante material de trabalho ali, no sentido de levar para eles o que é a cultura coxa branca", conta Marianna.
A associação levou para os investidores o sentimento da torcida: "O futebol é o ponto principal do Coritiba. A gente não pode achar que administrativamente a gente está se reestruturando e por isso está muito melhor. Não pode achar que, mesmo que dure anos, com insucesso no futebol, está tudo bem. Isso é suficiente para o Coritiba".
Um dos pedidos da associação foi reaproximar a torcida do time. No ano passado, a SAF chegou a censurar um protesto de torcedores no estádio. Eles taxaram a Treecorp de “SAF de mendigo”. Agora mudou. Aconteceram promoções de ingressos. E a resposta foi imediata: o Coritiba tem a melhor média de público do campeonato.
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As chegadas de outros profissionais também ajudaram. A associação conseguiu colocar o ex-jogador Reginaldo Nascimento dentro do futebol - ele é o coordenador técnico, fazendo um elo entre comissão técnica e elenco.
E a empresa Outfield, que trabalha com consultoria esportiva, passou a ter uma participação maior no trabalho da SAF. Marianna acredita que a Outfield passou a ter uma cota maior de investimento e por isso participou mais do projeto.
Com tantas mudanças, o Coritiba se tornou o time mais consistente da Série B, quase sempre dentro do G4. Marianna entende que ainda é necessário melhorar, mas a relação com a SAF é de alto nível: "Está funcionando. A gente está tendo uma boa relação. Com divergências, mas as pessoas que fazem esse meio-campo têm uma boa convivência. E a gente tem conseguido atingir os objetivos em comum de uma forma muito madura".
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Fiscalização e futuro
O principal papel da associação é fiscalizar os movimentos da SAF, para que ela cumpra tudo que foi colocado em contrato. No ano que vem, confirmando o acesso, a SAF precisa dobrar o investimento atual, chegando R$ 170 milhões na temporada. Marianna entende que o ideal seria investir mais. Mas a associação não tem como exigir.
"Para os parâmetros atuais do futebol, a gente percebe que o valor está um defasado. Inflacionou demais. E a antiga gestão não teve tanto cuidado na hora de pensar esses números. Agora a gente só tem que fiscalizar que isso está sendo cumprido", explica Marianna.
Os investidores podem decidir aportar um valor maior. Mas por enquanto o orçamento não foi fechado, segundo Marianna.
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Outra promessa que a SAF precisa fiscalizar é a construção de um Centro de Treinamento moderno, que ainda não começou a ser construído. A SAF alega que teve dificuldades com a licença ambiental de um terreno de Campina Grande do Sul. Por isso, no meio dese ano, preferiu investir em uma melhoria no CT atual, criando um Centro de Performance.
