Resumo
O ex-diretor Carlos Belmonte já vivia isolamento no São Paulo antes da demissão. Segundo o setorista Paulo do Valle, ele perdeu funções após a chegada de Márcio Calomagno, que assumiu o comando do departamento.
Reuniões sobre 2026 ocorriam sem sua presença, e o dirigente deixou até de viajar com a delegação. A atuação mais dura de Calomagno no vestiário também gerou incômodo entre jogadores.
A saída ocorreu após a goleada por 6 a 0 para o Fluminense, ampliando a crise interna. Rui Costa e Muricy seguem no futebol, enquanto Casares convocou coletiva para tratar do momento.
A saída de Carlos Belmonte do São Paulo, confirmada nesta sexta-feira (28), ocorreu após um período de desgaste interno que já havia deixado o dirigente sem influência no dia a dia do clube. De acordo com o setorista Paulo do Valle, da Rádio Bandeirantes, o ex-diretor passou os últimos meses afastado das principais decisões, sem protagonismo no departamento e com funções reduzidas antes de formalizar sua demissão.
Segundo o jornalista, Belmonte vinha sofrendo resistência dentro da própria estrutura do clube e perdeu espaço após a nomeação de Marcio Carlomagno como interventor no futebol por decisão do presidente Julio Casares. Com essa mudança, atribuições tradicionalmente ligadas ao diretor passaram a ser centralizadas no novo dirigente. Belmonte deixou inclusive de acompanhar a delegação nas viagens, enquanto Carlomagno assumia o papel operacional em compromissos fora de São Paulo.
As discussões sobre o planejamento para 2026 também já ocorriam sem a presença de Belmonte. Paulo do Valle revelou que Casares realizava reuniões com Crespo, Rui Costa e Carlomagno ao lado da sala do então diretor, mas sem convidá-lo para participar das conversas. Mesmo esvaziado, ele permaneceu no cargo até esta semana por questões políticas, já que seu grupo interno teria peso significativo em uma futura eleição presidencial do clube.
Atrito com o elenco
A ascensão de Carlomagno no comando do futebol não passou despercebida pelo elenco. Após a derrota para o Mirassol, o interventor teria feito um discurso duro no vestiário, cobrando postura dos jogadores. De acordo com o setorista, a reação foi negativa. Atletas entenderam que Carlomagno estava ultrapassando funções e interferindo em espaços que antes pertenciam a Belmonte.
Nesse cenário, o desabafo do volante Luiz Gustavo após o 6 a 0 sofrido diante do Fluminense ganhou novo peso. O jogador cobrou que figuras de comando assumissem responsabilidades e declarou que o clube precisa de um “plano claro do início ao fim da temporada”. As falas foram interpretadas como um recado direto à nova estrutura de liderança que havia se consolidado no departamento de futebol.
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