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Memphis Depay no Corinthians: crise financeira e dúvida sobre permanência

Maior pico de buscas sobre saída de Memphis revela a preocupação da torcida diante da dívida de R$ 6,1 milhões e do alto custo do jogador

Babi Fava
BABI FAVA

10/07/2025 • 11:47 • Atualizado em 10/07/2025 • 11:47

REUTERS/Thiago Bernardes

A Fiel Torcida está em polvorosa, com o coração na mão e o Google como principal confidente. Afinal, a pergunta que não quer calar e é a mais feita sobre o Memphis no Google nos últimos 30 dias é uma só: “Memphis Depay saiu/vai sair do Corinthians?”. Segundo dados da Sala Digital, esse é o maior pico de buscas já registrado sobre a dúvida. O frenesi digital não é à toa. Por trás das buscas, pulsa uma crise que atinge o coração financeiro do Timão e põe em xeque a permanência do craque holandês.

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A temperatura no Parque São Jorge subiu drasticamente nesta semana, transformando a rotina de treinos em um verdadeiro campo minado de incertezas. Memphis Depay, o camisa 10, simplesmente não se apresentou ao CT do Parque São Jorge na última quarta-feira (9), sem dar qualquer satisfação sobre sua ausência. Essa "sumida" do holandês não foi um capricho isolado. Ela é o estopim de uma bomba-relógio financeira que o Corinthians tem tentado desarmar.

O atacante havia notificado o clube em 15 de maio e, em 24 de junho, uma segunda notificação exigia o pagamento integral de R$ 6,1 milhões. Esse valor se refere a R$ 4,7 milhões da premiação do Paulistão de 2025 e R$ 1,4 milhão em direitos de imagem, com a ameaça de suspender suas obrigações trabalhistas e o uso de sua imagem caso a dívida não fosse quitada até 25 de junho.

Prepare o fôlego, Fiel, porque os números do "pacote Memphis" são capazes de tirar o sono de qualquer tesoureiro. O Corinthians arca com cerca de R$ 6 milhões por mês fixos para manter Depay, um montante que inclui salário CLT, direitos de imagem, cozinheira particular, segurança, carro e hotel. Desse valor astronômico, a patrocinadora Esportes da Sorte cobre apenas R$ 1,5 milhão (25%), o que significa que o Corinthians desembolsa R$ 4,5 milhões mensais do próprio caixa.

Além disso, o contrato total do jogador, já descontados os impostos, pode atingir R$ 120 milhões se ele cumprir todas as metas esportivas. Mas se ele realmente "estourar" e o Corinthians for campeão de tudo, esse valor pode superar os R$ 170 milhões. Para o clube, a conta é ainda mais salgada, pois arca com os impostos, tornando o custo real muito maior do que o valor líquido que Depay recebe. É como ter um diamante bruto em casa: lindo de se ver, mas com um custo de manutenção que beira o insustentável.

A situação é ainda mais delicada quando olhamos para a "porta dos fundos" do contrato de Memphis. A multa rescisória para clubes brasileiros é de R$ 150 milhões (com 20% indo para o jogador), mas para clubes estrangeiros, a multa é de apenas 10 milhões de euros, sendo que 50% desse valor (5 milhões de euros) iria diretamente para o jogador. Isso significa que, na prática, o Corinthians receberia um valor que é quase simbólico para o poderio financeiro de times europeus.

Tudo isso acontece enquanto o Corinthians ostenta o título nada honroso de time mais endividado do Brasil, com uma dívida total que chega a R$ 1,9 bilhão em 2024. A União, inclusive, cobra R$ 16,7 milhões em contribuições previdenciárias e para o Sistema S não pagas.

Apesar de ter sido peça fundamental na conquista do Campeonato Paulista de 2025, além de ter contribuído com 13 gols e distribuído 14 assistências em 42 jogos, garantindo sozinho mais de 90% da premiação do clube pelo título estadual (R$ 4,7 milhões de R$ 5 milhões recebidos pela FPF), o custo-benefício de Memphis tem sido alvo de críticas pesadas.

Diante de todo esse cenário, a diretoria do Corinthians se vê em uma encruzilhada. Inicialmente, o clube afirmava que só consideraria a venda de Memphis Depay em caso de uma proposta "irrecusável". Agora, já não sabemos mais.

Pode ser que a realidade do contrato fale mais alto: a saída de Memphis só seria revista se o próprio jogador recebesse uma proposta que o agradasse e ele solicitasse a saída. É a velha sinuca de bico: manter um jogador caro e polêmico em meio a uma crise financeira que já causa uma "incerteza relevante quanto à continuidade operacional do clube" ou abrir mão de um talento que, mesmo contestado, entrega números, mas por um valor de multa que é uma piada para o mercado internacional. A corda estica de ambos os lados.

A Fiel, que já viu de tudo nesse time, assiste a mais um capítulo de uma novela que parece não ter fim. As buscas incessantes por "Memphis vai sair?" mostram a ansiedade de uma torcida que quer respostas e, acima de tudo, um Corinthians forte e saneado.