Caixa manipulou números de dívida do Corinthians pela Arena, diz perito
Anísio Castelo Branco trouxe informação em entrevista à Rádio Bandeirantes

Eles apresentaram uma planilha, onde eles manipularam essas informações.
A frase é Anísio Castelo Branco, perito judicial do Instituto de Perícia Investigativa (IPI), que analisa o contrato da Arena Corinthians com a Caixa Econômica Federal, em entrevista exclusiva à Rádio Bandeirantes veiculada no Domingo Esportivo Bandeirantes deste domingo (6). Segundo ele, o banco não apresentou relatórios oficiais ao Timão, mas sim uma planilha, com informações inconsistentes sobre a dívida da equipe corintiana.
Continua depois da publicidade
Eu peguei as informações do processo, de agosto de 2019. Eu não confio nas informações que a Caixa colocou lá, porque eles colocaram uma planilha e não um relatório oficial do banco. Eles apresentaram uma planilha, onde eles manipularam essas informações. Vamos conferir se o Corinthians não pagou a mais já no passado. Eu gostaria de conferir se os dados estão corretos. Como eu faço isso? Com extratos bancários, comprovantes de pagamentos feitos pelo Corinthians - Anísio Castelo Branco
De acordo com o perito, os valores da dívida do Corinthians com a Caixa Econômica estariam reduzidos e ainda o Timão teria que ter uma parte do dinheiro paga a mais devolvido pelo banco estatal.
Com os valores corrigidos, o Corinthians estaria devendo R$ 280 milhões e teria que ter R$ 255 milhões devolvidos - acrescentou.
Continua depois da publicidade
O início da investigação
Anísio Castelo Branco revelou como decidiu iniciar o processo de análise do contrato do Corinthians com a Caixa Econômica Federal. Corintiano, o perito diz que faz o trabalho por "amor ao clube" e não cobra nada pelos seus serviços. Ele ainda negou ter pedido documentos do processo ao Timão e destacou que foi apenas convidado pelo clube para integrar a revisão dos valores.
"Isso começou em 2018. Em 2020, eu mandei e-mails para a diretoria do Corinthians, no caso ao Andrés (Sánchez), que nunca me deu retorno. Eu tive acesso ao processo da Caixa Econômica contra o Corinthians, em 2019, que cobrava R$ 536 milhões. Eu comecei a estudar esse processo e, como perito, eu falei: '"'não pode estar certo isso aí, tem alguma coisa errada'", iniciou.
"Eu não pedi nenhum documento ao Corinthians. Só tivemos uma conversa e eu aceitei participar desse grupo de trabalho (de análise do contrato do Corinthians). Houve algum ruído que gerou essa dúvida. Conversei com todo mundo no Corinthians, que me convidou", destacou.
Continua depois da publicidade
Por fim, Anísio Castelo Branco fez uma forte declaração sobre os processos de bancos contra o consumidor e acredita que a Caixa Econômica tenha errado os valores.
Eu nunca encontrei nenhum banco que não tenha errado contra o consumidor, e acho que a Caixa não será a primeira (a não errar). Todos erram e todos se aproveitam da falta de conhecimento do consumidor. Não estou afirmando que é o caso da Caixa...mas eu contesto essa dívida de R$ 536 milhões.
Posicionamento da Caixa
Ao Estadão, a Caixa emitiu uma nota oficial sobre o caso. Confira a seguir:
"A CAIXA informa que o contrato de financiamento firmado com o Sport Club Corinthians observou rigorosamente a legislação vigente, as normas do Banco Central do Brasil e do Sistema Financeiro Nacional, não havendo qualquer aspecto da operação que extrapole o regime jurídico aplicável a contratos dessa natureza.
Continua depois da publicidade
A contratação original, de 2013, e a renegociação concluída, em 2022, foram submetidas e acompanhadas por efetivo assessoramento técnico e jurídico da CAIXA e do Corinthians, bem como aprovadas por rigorosas regras de governança, de ambos os lados.
A CAIXA ressalta, ainda, que informações específicas sobre operações de crédito e seus termos contratuais estão protegidas pelo sigilo bancário, nos termos da Lei Complementar n° 105/2001. Por esse motivo, a instituição não pode comentar detalhes do contrato, limitando-se a reafirmar que sua atuação observou a legislação aplicável, normativos internos, controles e compliance, tanto da CAIXA, quanto do Corinthians."
Confira a entrevista completa com Anísio Castelo Branco:
Fique por dentro das últimas
notícias
