Esporte na Band

Presidente do Conselho do São Paulo é indiciado por falsidade ideológica

Relatório da Polícia Civil foi enviado ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia contra Olten Ayres de Abreu Júnior

Da redação
DA REDAÇÃO

23/07/2026 • 17:19 • Atualizado em 23/07/2026 • 17:19

Olten Ayres de Abreu Junior

Olten Ayres de Abreu Junior

EDUARDO CARMIN/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Resumo

A Polícia Civil indiciou Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, por falsidade ideológica. O caso agora será analisado pelo Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.

Segundo a investigação, Olten teria articulado um parecer atribuído ao Conselho Consultivo para respaldar uma reforma do estatuto que abriria caminho para a transformação do clube em SAF. A polícia afirma que o documento simulava uma deliberação que nunca ocorreu.

Em depoimento, o dirigente negou irregularidades e afirmou que o texto tinha caráter apenas opinativo. O delegado, porém, contestou a versão, e o inquérito foi encaminhado ao MP para a continuidade do caso.

A Polícia Civil indiciou Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, pelo crime de falsidade ideológica. A conclusão consta no relatório final do inquérito, assinado pelo delegado Tiago Fernando Correia e encaminhado à Justiça e ao Ministério Público na segunda-feira (20).

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O indiciamento encerra a fase de investigação e não representa condenação. Agora, caberá ao Ministério Público decidir se oferece denúncia à Justiça. Olten nega as acusações apresentadas durante o inquérito.

Segundo o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), responsável pela investigação, o dirigente articulou a elaboração de um documento atribuído ao Conselho Consultivo do clube, conhecido como "Conselho dos Cardeais", favorável a uma reforma estatutária que abriria caminho para a transformação do São Paulo em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Como surgiu a investigação

De acordo com a polícia, o texto foi elaborado pelo advogado Guilherme Salutti a pedido de Olten. Em seguida, o documento teria circulado para colher as assinaturas do presidente do Conselho Consultivo, José Eduardo Mesquita Pimenta, e do secretário, Ives Gandra da Silva Martins.

A investigação sustenta que não houve reunião, convocação ou registro em ata para discutir o tema. Para a autoridade policial, o parecer simulava uma deliberação coletiva que, na prática, nunca aconteceu.

O advogado confirmou ter redigido a minuta a pedido do dirigente. Outro integrante do colegiado afirmou que o Conselho Consultivo não se reuniu em dezembro de 2025.

O relatório ainda aponta que o documento foi assinado e devolvido em cerca de duas horas e 21 minutos, intervalo considerado incompatível com a análise de uma proposta de alta complexidade.

O que diz o relatório

Depois da assinatura, os dois integrantes do Conselho Consultivo enviaram e-mails negando a realização de qualquer reunião formal. Eles afirmaram que o texto refletia apenas conversas isoladas e anunciaram a renúncia ao colegiado. Para o delegado, a decisão reforça a contestação ao documento.

As mensagens de WhatsApp entre Olten e o advogado Guilherme Salutti não foram recuperadas durante a investigação.

O relatório também destaca a sequência dos acontecimentos em dezembro de 2025. No dia 15, o ge publicou áudios sobre uma suposta exploração irregular de camarotes no Morumbis. No dia seguinte, o veículo noticiou a possibilidade de uma reforma estatutária. Em 17 de dezembro, a proposta foi formalizada pelo presidente Julio Casares. Para a polícia, a cronologia indica uma estratégia de contenção da crise institucional.

Defesa do dirigente

Em depoimento, Olten afirmou que a manifestação do Conselho Consultivo tinha caráter apenas opinativo e, por isso, não teria relevância penal. O dirigente preferiu classificar o documento como uma "opinião", e não como um "parecer".

O delegado rebateu o argumento ao apontar que o próprio Olten utilizou o termo "parecer" no ofício de encaminhamento e admitiu que a alteração do quórum tinha como objetivo viabilizar a transformação do clube em SAF.

Concluída a investigação, o inquérito seguirá para análise do Ministério Público. Se houver denúncia, o caso passará à fase judicial, quando a defesa poderá apresentar seus argumentos e provas.

Com Agência Estado