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Por que a seleção da Itália piorou tanto? Entenda e veja provável escalação

Italianos ficaram fora de duas Copas seguidas e vão disputar repescagem nesta quinta (26)

Allan Brito
ALLAN BRITO

26/03/2026 • 00:38 • Atualizado em 26/03/2026 • 00:38

Seleção da Itália é tetra

Seleção da Itália é tetra

Reprodução/ Instagram @azzurri

A seleção da Itália é tetracampeã do mundo, mas tem acumulado fracassos em Copas: foi eliminada na 1ª fase em 2010 e 2014 e, depois, nem se classificou, em 2018 e 2022. Agora ainda depende da repescagem para conquistar vaga na Copa de 2026. É difícil entender como a Itália sofreu essa decadência. Mas existem explicações.

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Acima de tudo, é importante entender que não se trata de apenas um motivo. É uma conjunção de fatores que contribuiu para esse enfraquecimento. Alguns problemas influenciam mais, outros menos. Mas todos ajudam a explicar como a Itália piorou. Entenda e veja a provável escalação da Itália para enfrentar a Irlanda do Norte, em jogo único, na 1ª fase da repescagem.

Problemas na formação de jogadores

Nos últimos anos, a seleção da Itália costuma ficar entre as mais velhas das competições. Falta renovação. As categorias de base até conseguem alguns bons resultados. O time sub-20 tem ido longe. Mas a transição para o time principal tem sido ruim e poucas promessas viram realidade.

Falta de atacantes

Há muito tempo, a Itália não tem atacantes dos níveis de Paolo Rossi, Roberto Baggio, Alessandro Del Piero, Francesco Totti ou até Luca Toni e Gilardino. O setor ofensivo está repleto de jogadores irregulares, que às vezes fazem uma boa temporada, mas depois "somem". Na convocação mais recente, o ataque teve mais um problema: Chiesa, um dos mais talentosos da geração, foi cortado por problemas físicos. O substituto dele mostra como a Itália tem dificuldades no setor: Nicolò Cambiaghi, do Bologna, tem 4 gols na temporada e só jogou uma vez pela Itália nas Eliminatórias.

Veja os outros atacantes convocados para a repescagem: Esposito (Inter), Moise Kean (Fiorentina), Matteo Politano (Napoli), Giacomo Raspadori (Atalanta), Mateo Retegui (Al-Qadsiah), Gianluca Scamacca (Atalanta).

Futebol de clubes

O Campeonato Italiano já esteve pior, há cerca de 10 anos, principalmente por consequência do escândalo "Calciopoli". Aquilo enfraqueceu os times por muitos anos. Aos poucos a liga está melhorando, mas ainda enfrenta problemas, principalmente financeiros - o que também influencia na formação de jogadores. Faltaam estádios mais modernos, investidores melhores e gestões mais eficientes.

Estrangeiros e intercâmbio

Muitas vezes o excesso de estrangeiros é apontado como vilão para o futebol italiano. Mas outras ligas são abertas aos gringos e não possuem seleções tão fracas - na Inglaterra, por exemplo, a Premier League não é tão prejudicial. O problema para a Itália é que não há um incentivo para que os italianos revelados nos clubes sejam melhores dos que os estrangeiros. E isso fica visível porque poucos italianos se tornam protagonistas fora do país. Atualmente só o goleiro Gianluigi Donnarumma tem esse status no Manchester City-ING.

Com pouco intercâmbio fora do país, poucas revelações no campeonato local, e uma liga mais fraca, naturalmente a seleção sentiu o baque.

Técnicos

A seleção só tem apostado apenas em técnicos italianos, mas não contratou o principal deles, que agora está na Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti.

Vários outros passaram pelo comando nos últimos anos: Cesare Prandelli, Antonio Conte, Gian Piero Ventura, Roberto Mancini, Luciano Spalletti e agora Gennaro Gattuso.

O melhor deles foi Mancini, que conseguiu o título da Eurocopa em 2000. Mas depois aquele título se tornou quase um "acidente", porque o desempenho nas Eliminatórias foi muito fraco - após ficar atrás da Suíça na fase de grupos, a Itália foi eliminada pela Macedônia do Norte na repescagem.

Problemas táticos

A seleção italiana não se adequou às características do futebol moderno, com muita pressão, movimentação. Recentemente Philip Lahm falou sobre a baixa intensidade dos italianos: "Os jogadores correm menos. O time da Bundesliga com menor índice de desempenho corre mais do que os times com os maiores índices na Série A. A Itália não atualizou seu sistema operacional e funciona muito lentamente".

O futebol italiano costumava dominar a marcação por zona, mais posicional e com controle do espaço. O futebol atual é mais agressivo e "caótico" do que a Itália gosta.

Efeito psicológico

Tantos fracassos acumulados começaram a causar efeitos psicológicos entre os italianos, que se manifestam de diferentes formas. Alguns jogadores sentem pressão e rendem menos do que nos clubes.

Outros, como o técnico Gattuso, preferem reclamar da quantidade de vagas para a América do Sul ou para a África.

Provável escalação

A Itália deve jogar no 3-5-2 com Donnarumma; Calafiori, Mancini e Bastoni; Politano, Locatelli, Barella, Tonali e Dimarco; Kean e Retegui.

Os zagueiros tiveram problemas físicos, se recuperaram, mas podem ser substituídos por Buongiorno ou Scalvini. Já no ataque existe a possibilidade Esposito ser escalado no lugar de Kean.