Esporte na Band

Pressão, impasse e decisão final: os bastidores da saída de Memphis

Apuração da Bandeirantes mostra pressão política, discussão sobre moradia e tentativa interna de manter o holandês no clube

LUIS FABIANI

12/08/2026 • 15:57 • Atualizado em 12/08/2026 • 15:57

Resumo

Osmar Stabile chegou ao CT decidido a não renovar com Memphis, apesar da tentativa interna de manter o atacante.

O marketing apresentou parceiros para ajudar no custo ligado à moradia, mas a presidência não mudou de posição.

Segundo a Bandeirantes, pressão política e antigos desgastes com setores do clube também pesaram no desfecho.

A não renovação de Memphis Depay com o Corinthians foi definida após uma série de discussões internas no CT Joaquim Grava. Segundo apuração da Bandeirantes, o presidente Osmar Stabile chegou ao local na quarta-feira (12) decidido a encerrar as negociações.

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Naquele momento, o principal impasse envolvia cerca de R$ 250 mil ligados à moradia do jogador. O Corinthians entendia que conseguiria bancar o novo contrato, mas não queria assumir esse custo nos moldes discutidos.

Antes de Stabile chegar ao CT, porém, o departamento de marketing apresentou alternativas para viabilizar o valor.

Marketing tentou salvar a negociação

De acordo com a apuração da Bandeirantes, três parceiros comerciais foram apresentados como possíveis caminhos para bancar a quantia. Entre eles estavam a companhia aérea KLM e uma empresa do varejo.

Mesmo com a solução colocada à mesa, Stabile manteve a decisão.

Por volta das 11h, já no CT, o presidente comunicou ao executivo de futebol Marcelo Paz que o clube não renovaria com Memphis.

A partir daí, começou uma tentativa interna de reverter o cenário.

Reunião durou horas no CT

Marcelo Paz, integrantes do futebol, profissionais do marketing e representantes da área financeira passaram entre duas e três horas reunidos.

Parte dos departamentos defendia a permanência de Memphis. Stabile, porém, não mudou de posição.

O desfecho contrastou com o discurso recente do clube. Na véspera, Marcelo Paz havia demonstrado otimismo com a renovação e disse que esperava contar com o atacante na viagem para Rosário.

Fernando Diniz também tratava publicamente a utilização de Memphis como uma possibilidade.

Pressão política pesou na decisão

A questão financeira não foi o único fator.

Segundo apuração da Bandeirantes, Stabile também sofria pressão política de aliados contrários à renovação.

Parte desse grupo enxergava Memphis como uma figura ligada à antiga gestão do Corinthians. A relação do holandês com setores do Parque São Jorge já vinha desgastada.

Em dezembro de 2025, após a final da Copa do Brasil, Memphis criticou integrantes da administração corintiana em entrevista à Bandeirantes e pediu mudanças internas no clube.

Outro ponto de atrito foi o vazamento de detalhes de seu primeiro contrato. Salários, bônus e cláusulas vieram a público, situação que incomodou o jogador.

Não há comprovação pública sobre quem forneceu o documento à imprensa.

Palavra final ficou com Stabile

O Corinthians justificou a não renovação pela necessidade de preservar a saúde financeira do clube e seguir uma política de austeridade.

Nos bastidores, porém, o cenário mostrou uma divisão clara: futebol e marketing tentaram manter Memphis, enquanto a presidência bancou o fim da negociação.

O presidente Osmar Stabile deve falar publicamente sobre a decisão nos próximos dias. Segundo a Bandeirantes, Memphis também deve se pronunciar sobre a saída.