Esporte na Band

Príncipe da Jordânia acusa Fifa de chantagem por apoio a Infantino; entenda

Ali Bin Al Hussein faz forte manifestação nas redes sociais

Da redação
DA REDAÇÃO

04/08/2026 • 17:14 • Atualizado em 04/08/2026 • 19:04

Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

REUTERS/Evelyn Hockstein/File Photo

Resumo

Acusação de chantagem foi feita pelo presidente da Federação de Futebol da Jordânia, príncipe Ali Bin Al Hussein, que declarou que a Fifa tentou condicionar apoio político ao presidente Gianni Infantino à resolução de pendências financeiras e logísticas durante a Copa do Mundo de 2026.

Relato de dificuldades financeiras inclui orçamento limitado, problemas com vistos para torcedores, impostos sobre participação nos Estados Unidos, atraso no repasse de verbas e não pagamento da premiação pelo vice-campeonato da Copa Árabe de 2025, com queixas de que valores destinados a atletas e comissão técnica ainda não foram entregues pela Fifa.

Histórico de oposição entre Ali e Infantino inclui disputa eleitoral na Fifa em 2016 e divergências políticas, apesar de encontros pontuais durante torneios, e reafirmação do dirigente jordaniano de que manterá postura ética e não cederá à suposta chantagem para apoiar o atual presidente da Fifa.

O presidente da Federação de Futebol da Jordânia, príncipe Ali Bin Al Hussein, acusou a Fifa de tentar chantagear a entidade para garantir apoio político à permanência do presidente Gianni Infantino no comando da instituição. A declaração foi feita em publicação nas redes sociais, na qual o dirigente detalhou que a pressão ocorreu verbalmente durante a Copa do Mundo de 2026.

Compartilhar

Segundo o dirigente jordaniano, um interlocutor sinalizou que as pendências financeiras e logísticas do país seriam resolvidas com maior facilidade caso a federação declarasse apoio formal ao atual mandatário da Fifa. Ali afirmou que a situação se trata de uma chantagem e garantiu que não cederá às exigências impostas.

"Durante meses, a Fifa se recusou a nos ajudar em qualquer uma dessas questões ou em outros assuntos. Até que, durante a Copa do Mundo, me foi comunicado verbalmente que, se eu apoiasse Infantino, isso ajudaria muito a nossa federação", declarou Ali Bin Al Hussein.

Dificuldades financeiras e premiações atrasadas

A denúncia veio à tona após a participação inédita da seleção da Jordânia em um Mundial. Na publicação, Ali relatou que a federação local opera com um orçamento limitado e enfrentou diversos obstáculos organizacionais.

Entre os problemas citados pelo príncipe estão os impedimentos para a emissão de vistos de entrada de torcedores nos Estados Unidos — mesmo para aqueles que já possuíam ingressos adquiridos por valores elevados —, a incidência de impostos sobre a participação no torneio e o atraso no repasse de verbas de outras competições.

"Estamos sendo tributados pelo governo dos Estados Unidos, por meio da Fifa, pela nossa participação. Dinheiro que deveria ir para jogadores e funcionários", afirmou o dirigente, ao comparar a situação com as equipes que ficaram sediadas no Canadá e no México.

Além disso, a federação cobra o pagamento da premiação pelo vice-campeonato da Copa Árabe de 2025, realizada no Catar. De acordo com Ali, os valores destinados aos atletas e à comissão técnica ainda não foram entregues pela organização.

"Estamos esperando desde dezembro o dinheiro da premiação dos nossos jogadores pela Copa Árabe no Catar, que é um evento da Fifa. O valor que nossa equipe deveria receber por ter chegado à final ainda não foi entregue, enquanto, ao mesmo tempo, a Fifa se orgulha de ter bilhões em reservas", acrescentou.

Histórico de oposição na entidade

O posicionamento contrário de Ali a Infantino não é recente. O príncipe jordaniano foi adversário do dirigente suíço nas eleições presenciais da Fifa em 2016, quando terminou em terceiro lugar no primeiro turno do pleito defendendo reformas na governança da instituição.

Apesar do histórico de oposição e das divergências políticas, Infantino e Ali chegaram a se encontrar no centro de treinamento da seleção jordaniana em Dallas durante a Copa de 2026. Na ocasião, o presidente da Fifa elogiou o desempenho do time no torneio, enquanto o dirigente local agradeceu o suporte ao futebol do país.

A Jordânia encerrou sua primeira participação em Mundiais na última colocação do Grupo J, que contava também com Argentina, Argélia e Áustria, sendo eliminada ainda na fase de grupos.

Sobre a nova investida política, Ali reiterou que a federação manterá sua postura. "Nós nos orgulhamos, na Jordânia, de defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o apoiaremos agora. Toda essa situação equivale a uma chantagem, e nos recusamos a ceder a isso", concluiu