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Contra "maquiagem contábil", promotor pede que MPF investigue o Corinthians

Pedido do promotor Cássio Conserino cita falhas em demonstrações financeiras e falta de transparência na prestação de contas

Da redação
DA REDAÇÃO

27/06/2026 • 00:47 • Atualizado em 27/06/2026 • 00:47

Corinthians pode ser investigado pelo Ministério Público Federal

Corinthians pode ser investigado pelo Ministério Público Federal

X/@Corinthians

O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, protocolou nesta quinta (26) uma representação solicitando que o Ministério Público Federal investigue supostas irregularidades financeiras no Corinthians. A informação foi publicada inicialmente pelo UOL, e o documento também foi obtido pelo Estadão.

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Na representação, Conserino sustenta que o caso deve ser tratado como tema de interesse federal por envolver a "proteção de um patrimônio cultural e social brasileiro". Segundo o promotor, o clube é administrado com o auxílio de recursos, benefícios e instituições federais, o que justificaria a atuação do Ministério Público Federal diante do cenário de insolvência financeira apontado no documento.

Acusações

O texto cita falhas em demonstrações financeiras, incluindo suposta "maquiagem contábil" e falta de transparência na prestação de contas relacionada ao financiamento da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal.

A representação também afirma que a diretoria teria praticado gestão temerária ao descumprir normas de programas federais, como o PROFUT e a Timemania, além de comprometer isenções fiscais concedidas pela União.

Outro argumento apresentado é que o Corinthians está em processo avançado para se tornar oficialmente patrimônio imaterial da cidade de São Paulo. Para Conserino, esse fator reforça que a preservação do clube e a regularidade de sua gestão ultrapassam os interesses da atual administração.

O documento ainda aponta um suposto conflito de interesses nos conselhos internos responsáveis pela aprovação das contas. Segundo a representação, ressalvas indicadas por auditorias independentes teriam sido ignoradas durante a análise dos demonstrativos financeiros.

Documentos apontam erros

Entre as irregularidades mencionadas está um apontamento da auditoria independente da Parker Russell sobre uma suposta "pedalada contábil". De acordo com o relatório citado, o clube registrou nas demonstrações financeiras de 2025 um desconto de R$ 593,3 milhões referente a uma transação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional que só foi assinada em 2 de fevereiro de 2026.

A representação também trata de questões relacionadas à Neo Química Arena. Segundo o documento, o Corinthians não apresentou demonstrações financeiras consolidadas envolvendo os Fundos de Investimento Imobiliário (FII) e os Fundos de Investimento em Participações (FIP) vinculados ao estádio.

Outro ponto destacado é o registro de R$ 96 milhões como "investimento" em um fundo imobiliário. Conforme a auditoria mencionada na representação, esse lançamento não refletiria a realidade econômica da operação. O relatório também conclui haver uma "incerteza patente" sobre a capacidade de continuidade das operações do clube diante da situação financeira apresentada.

Além da Parker Russell, o documento cita uma consultoria da Ernest & Young. Segundo a representação, a empresa identificou pagamentos a terceiros sem relação com os objetos contratuais e notas fiscais emitidas em sequência, sem comprovação dos serviços realizados, em contratos ligados à Arena.

*Com informações do Estadão Conteúdo