
Seleção volta a campo nesta quinta-feira (26)
@rafaelribeirorio / CBF
A derrota da seleção brasileira para a França por 2 a 1, em amistoso disputado na quinta-feira (26), teve um efeito quase imediato fora de campo. Nesta sexta-feira (27), uma pergunta simples voltou a aparecer entre as mais buscadas no Google: “qual foi a última Copa que o Brasil ganhou?”.
A resposta é conhecida, mas o fato de ela reaparecer no topo das pesquisas diz muito sobre o momento do torcedor brasileiro. O último título mundial da seleção foi na Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão. Na final, o Brasil venceu a Alemanha por 2 a 0, com dois gols de Ronaldo, e conquistou o pentacampeonato, ampliando a liderança histórica do país em número de títulos mundiais.
Quando essa pergunta explode nas buscas logo após uma derrota, porém, o torcedor não está apenas procurando uma informação básica. O movimento escancara uma comparação inevitável entre o presente da seleção e a última vez em que o Brasil chegou ao topo do futebol mundial.
A campanha de 2002 começou cercada de desconfiança. Nas Eliminatórias sul-americanas, o Brasil teve desempenho irregular e só confirmou a classificação nas rodadas finais. O ciclo teve três treinadores: Wanderley Luxemburgo, Emerson Leão e, por fim, Luiz Felipe Scolari, que assumiu a equipe em 2001. Felipão tomou decisões que dividiram a opinião pública, como deixar Romário fora da convocação, e apostou em jogadores que não viviam unanimidade naquele momento. O principal símbolo dessa aposta era Ronaldo, que chegava à Copa após quase dois anos marcados por graves lesões no joelho.
A seleção que desembarcou na Ásia tinha uma estrutura tática diferente do padrão histórico do Brasil. Scolari adotou um sistema com três zagueiros e alas ofensivos, dando liberdade criativa ao trio ofensivo formado por Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. O time-base tinha Marcos no gol; Lúcio, Roque Júnior e Edmílson na defesa; Cafu e Roberto Carlos nas alas; Gilberto Silva e Kléberson no meio; Rivaldo e Ronaldinho na armação; e Ronaldo no comando do ataque.
O resultado foi uma das campanhas mais consistentes da história da seleção em Copas. O Brasil venceu todos os sete jogos do torneio, marcou 18 gols e sofreu apenas quatro. Passou por Bélgica, Inglaterra e Turquia no mata-mata até chegar à final contra a Alemanha. No dia 30 de junho de 2002, em Yokohama, Ronaldo marcou duas vezes e selou o quinto título mundial do país, encerrando também uma narrativa pessoal de superação após anos de lesões.
Desde então, o Brasil disputou cinco Copas do Mundo (2006, 2010, 2014, 2018 e 2022) sem voltar à final. O intervalo entre títulos já ultrapassa duas décadas, o maior desde o período entre 1970 e 1994. É nesse contexto que a pergunta sobre a última conquista reaparece com força sempre que a seleção sofre um revés relevante.
A derrota para a França nesta semana, às vésperas da Copa de 2026, expôs problemas que vêm sendo discutidos ao longo do ciclo. Entre elas, dificuldades defensivas em transições rápidas, baixa eficiência ofensiva e uma equipe ainda em busca de estabilidade. Amistosos desse tipo costumam servir como laboratório, mas o impacto simbólico de enfrentar uma potência europeia acaba ampliando a repercussão de resultados negativos.
Quando o torcedor brasileiro recorre ao Google para perguntar qual foi a última Copa conquistada pelo país, o gesto tem menos a ver com curiosidade histórica e mais com memória emocional. Trata-se de uma maneira de medir a distância entre a seleção atual e a última grande conquista. No futebol, essa comparação é quase automática: cada derrota relevante reabre o álbum de lembranças das gerações que venceram.
A resposta factual permanece a mesma há mais de duas décadas: o Brasil ganhou sua última Copa do Mundo em 2002. Em meio a críticas e incertezas, revisitar o pentacampeonato também funciona como um lembrete de que, no futebol, ciclos mudam rapidamente — e que a história que hoje parece distante já foi, um dia, apenas o próximo capítulo a ser escrito.
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