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São Paulo rompe contrato e cobra R$ 1 milhão de empresa de limpeza

Tricolor aponta que existem falhas na prestação de serviços

Da redação
DA REDAÇÃO

23/03/2026 • 23:08 • Atualizado em 23/03/2026 • 23:15

Morumbi, estádio do São Paulo

Morumbi, estádio do São Paulo

Felipe Santos/Ceará SC

O São Paulo rescindiu o contrato com a empresa de limpeza Milclean e ingressou na Justiça para cobrar R$ 1 milhão. Uma auditoria interna apontou falhas na prestação de serviços na sede social do clube.

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De acordo com a ação judicial, o clube pede rescisão por justa causa, pagamento de R$ 615,4 mil por suposto descumprimento contratual e restituição de R$ 2 milhões referentes a valores pagos a mais entre setembro de 2024 e março de 2026.

O São Paulo, porém, abate R$ 1,6 milhão relativos a serviços prestados pela Milclean entre janeiro e março deste ano, que ainda não foram quitados, o que resulta em cobrança líquida de R$ 1 milhão da empresa de limpeza. A Milclean não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Ação aponta falta de funcionários

O motivo central da rescisão é a alegação de que a Milclean fornecia menos funcionários do que o previsto em contrato, sem redução proporcional nos valores faturados ao clube.

Segundo a ação, a auditoria interna verificou entre 1,3 mil e 1,5 mil faltas mensais de funcionários desde setembro de 2024, enquanto o contrato previa tolerância de até 60 ausências por mês.

Ao ser cobrada a se adequar, a empresa afirmou enfrentar "dificuldades operacionais" e passar por um processo de "reequilíbrio financeiro". A Milclean também alegou ter investido R$ 398 mil em equipamentos que substituiriam mão de obra, além de criar benefícios de assiduidade para reduzir faltas.

Essas medidas, contudo, não tiveram aval do São Paulo, que lembra no processo que o contrato prevê que a prestadora arque com os custos operacionais. Ainda de acordo com o clube, os novos equipamentos sequer entraram em operação, e tentativas de ajuste por meio de reuniões e notificação extrajudicial não tiveram efeito.

Contrato previa 96 funcionários por dia

O contrato com a Milclean, assinado pelo então presidente Júlio Casares no fim de 2024, estipulava pagamento mensal de cerca de R$ 570 mil para disponibilizar 96 funcionários por dia na limpeza da sede social tricolor. O acordo tinha validade até 14 de junho de 2027.

A revisão desse e de outros contratos de serviços faz parte da auditoria interna em curso no clube. Antes da Milclean, o São Paulo já havia dispensado a empresa FGoal após identificar problemas na prestação de serviços.

Ligação com dirigente do futebol paulista

Aberta em 1998 com capital social de R$ 20 mil, a Milclean chegou a declarar faturamento de R$ 20 milhões em 2018, segundo registros da Junta Comercial de São Paulo. A companhia pertence a Otávio Alves Corrêa Filho, dirigente do Taubaté.

O presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, que também já comandou o Taubaté, figurou como sócio da Milclean até 2021, quando vendeu sua participação por R$ 3,9 milhões.

Em nota divulgada em janeiro, quando o Estadão revelou o déficit de funcionários da empresa no São Paulo, Reinaldo afirmou que ninguém de sua família mantém vínculo societário com o proprietário da Milclean, a quem classificou como um "antigo amigo".

Na mesma ocasião, o São Paulo declarou que escolheu a Milclean por apresentar o menor custo entre as concorrentes. A empresa, por sua vez, reiterou a compra de equipamentos para reduzir o quadro de funcionários e admitiu que não conseguia manter o mínimo de trabalhadores previsto em contrato.

Investigação mira gestão do clube

A força-tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, que investiga o clube tricolor em diferentes frentes, já tem conhecimento da situação envolvendo a Milclean. No momento, o grupo concentra esforços em apurar suposto uso irregular de camarotes no Morumbi, mas acompanha também os desdobramentos desse contrato de limpeza.

Com Estadão Conteúdo