
Oscar durante treino do São Paulo
Rubens Chiri / São Paulo FC
O meia Oscar, do São Paulo, foi diagnosticado nesta quinta-feira (13) com uma síncope vasovagal, após o mal-estar que sofreu durante testes físicos no CT do clube. A condição, que levou à sua internação no Hospital Albert Einstein, é a causa mais comum de perda de consciência e, apesar de assustadora, é geralmente considerada benigna na maioria dos casos.
O diagnóstico levanta dúvidas em torcedores, especialmente por se tratar de um atleta de alto rendimento. Afinal, o que é a síncope vasovagal e por que ela acontece?
O que é a síncope vasovagal?
Em resumo, a síncope vasovagal não é considerada uma doença grave do coração, mas sim um "alarme falso" do sistema nervoso. Basicamente, o corpo reage de forma exagerada a um gatilho.
O cérebro envia um comando errado que estimula o nervo vago, fazendo com que o coração bata mais devagar e a pressão arterial caia bruscamente.
Com menos sangue e oxigênio chegando ao cérebro, a pessoa sente tontura, a vista escurece e, por fim, desmaia (síncope), como foi o caso de Oscar que sai do CT do São Paulo de ambulância. O próprio desmaio, na verdade, é um mecanismo de defesa: ao cair, o sangue volta a fluir para a cabeça e a pessoa se recupera rapidamente, em segundos ou poucos minutos.
Quais são os gatilhos e sintomas?
A síncope vasovagal (também chamada de reflexa ou neurocardiogênica) pode ser disparada por diversas situações que, para a maioria das pessoas, não causariam problemas.
A internação de Oscar, que ocorreu após ele desmaiar durante um teste de esforço, serve justamente para investigar a causa exata e descartar problemas mais sérios, como arritmias cardíacas.
Uma das principais características da síncope vasovagal é que a pessoa raramente desmaia "do nada". O corpo costuma dar avisos prévios, conhecidos como pródromos. Reconhecer esses sinais é a principal forma de prevenção.
Sintomas que antecedem o desmaio:
- Tontura súbita e sensação de "cabeça leve"
- Visão turva ou escurecida (sensação de túnel)
- Palidez e sudorese (suor frio)
- Náuseas ou desconforto abdominal
- Sensação de calor
- Zumbido nos ouvidos
Gatilhos mais comuns:
- Ficar em pé por longos períodos
- Ambientes quentes, fechados ou aglomerados
- Estresse emocional, medo ou ansiedade
- Visão de sangue, agulhas ou procedimentos médicos
- Esforço físico exaustivo, sendo comum o desmaio ocorrer após o fim do exercício
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito principalmente pela história clínica do paciente, ouvindo os relatos dos desmaios e os gatilhos associados, além de um exame físico e um eletrocardiograma (ECG) para descartar outras causas.
Para confirmar a síncope vasovagal, o exame mais específico é o "Tilt Test" (ou teste de inclinação), onde o paciente é monitorado enquanto fica deitado em uma maca que se inclina rapidamente para a posição vertical, simulando o gatilho postural.
Como não é uma doença, mas uma condição, o tratamento raramente envolve cirurgias. O foco principal está em mudanças comportamentais e na prevenção.
- Evitar os gatilhos: Reconhecer o que causa as crises.
- Hidratação: Aumentar a ingestão de água e, em alguns casos, de sal (sob orientação médica), para ajudar a manter a pressão arterial.
- Reconhecer os sintomas: Ao sentir os primeiros sinais (pródromos), o paciente deve se deitar imediatamente, se possível com as pernas elevadas, ou sentar-se e abaixar a cabeça.
- Manobras de contrapressão: Cruzar as pernas com força ou tensionar os braços pode ajudar a elevar a pressão e evitar o desmaio.
- Medicação: Em casos mais severos e recorrentes, médicos podem indicar medicamentos. A implantação de marcapasso é reservada apenas para situações muito raras e específicas.
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