Esporte na Band

Sócio da SAF do Santa Cruz comenta briga em PE: "Não tem que banir torcida organizada"

Marcio Cadar disse que vai apostar no dialógo e na educação para resolver problema da violência

Allan Brito
ALLAN BRITO

07/02/2025 • 18:11 • Atualizado em 07/02/2025 • 18:11

Recentemente torcidas organizadas de Santa Cruz e Sport protagonizaram uma grande briga nas ruas de Recife. Isso motivou os times a assumirem compromissos públicos contra essas organizações. Mas isso não significa que o Santa vai romper com as torcidas organizadas. O clube está perto de virar SAF (Sociedade Anônima do Futebol) e um dos investidores, Marcio Cadar, pretende manter o diálogo com esses torcedores.

Compartilhar

“Eu tenho uma utopia e uma missão de querer acabar com a violência no futebol. Quero conversar com as torcidas, entender qual é o problema e qual é a demanda”, iniciou Marcio, em entrevista exclusiva ao Band.com.br.

Assim como em vários estados, as torcidas organizadas de Pernambuco já foram banidas. Mas Marcio não acredita que isso é uma solução: "Não acho que tem que banir torcida de estádio. Tem que educar a torcida. Esse processo de educação envolve sentar na mesa para conversa. Não adianta só romper. O torcedor organizado é um cara que coloca uma camisa com o nome da torcida e vai para o jogo. Se banir, ele vai tirar a camisa, vai para o jogo e vai virar torcida do mesmo jeito. Não existe esse negócio de banir torcida organizada. Você vai banir um nome, uma marca. Mas não vai banir o torcedor".

Depois da briga no clássico, o governo de Pernambuco chegou a anunciar uma punição que fechava portões em jogos do Santa Cruz. Mas Marcio ressalta que os confrontos normalmente acontecem fora dos estádios: "Eles marcam pela internet e brigam longe, a 20 ou 30 quilômetros do estádio".

Posteriormente, o governo voltou atrás na decisão.

Doação de dinheiro para torcidas organizadas

Marcio Cadar já tem se aproximado da torcida como um todo, tanto no estádio quanto nas redes sociais. Na semana passada, antes do clássico entre Santa e Sport, ele divulgou que tinha feito uma doação para uma torcida organizada. A intenção era ajudar o grupo a fazer festa no estádio.

Como aconteceu uma confusão envolvendo torcida organizada, surgiram críticas contra Marcio. Mas ele não se arrepende da doação. E argumenta que isso não fez diferença para que a briga acontecesse: "Nenhum marginal precisa de doação para pegar um pedaço de pau e meter na cabeça de outro. Quando faço doação, como essa, é de boa fé. Eu deito a cabeça no travesseiro e durmo tranquilamente".

Porém, agora o Santa não poderá fazer esse tipo de doação. A FPF (Federação Pernambucana de Futebol) divulgou que o Santa Cruz assumiu um compromisso que proíbe essa prática.

Com isso, Marcio se compromete a aceitar a determinação: "Eu vou obedecer o que for decidido pelas autoridades. Mas isso não impede de conversar com eles e de buscar entendimento com eles".

Com o objetivo de dar mais segurança no estádio, o Santa Cruz vai implementar reconhecimento facial no Arruda. E tudo será pago pelos investidores da SAF.

O lado bom das torcidas

Desde que o Santa Cruz anunciou que tinha uma proposta concreta para virar SAF, a torcida se empolgou. Primeiro fez festas nas ruas e depois apoiou demais o time no estádio.

E no embalo dessa empolgação, o Santa tem conseguido bons resultados no Campeonato Pernambucano. Recentemente derrotou Retrô e Sport e assumiu a liderança do estadual.

Marcio acredita que o anúncio da SAF influenciou em campo: "O ser humano vive muito por expectativa. É da nossa natureza. Eu venho do mercado financeiro e entendo dessa psicologia financeira e econômica. A pessoa fala que tal empresa vai lançar um produto que pode ser bom, e as ações dessa empresa começam a subir. Agora existe perspectiva da SAF, de melhora, e todo mundo começa a ficar entusiasmado - quer ir a campo, quer jogar melhor e quer se mostrar mais aguerrido. Eles começaram a enxergar perspectiva de futuro. Hoje todo mundo sabe que o Santa tem projetos de curto, médio e longo prazo. Isso é muito bom, poder enxergar o futuro. Pode demorar um pouco. Mas nunca vai deixar de seguir em frente. Essa força de impulsionar dá um sangue novo para torcida e jogadores".

O Santa Cruz ainda não virou SAF oficialmente, pois precisa passar por questões legais e burocráticas. Porém os investidores e o clube assinaram uma proposta vinculante e entendem que a aprovação é uma questão de tempo.

Com isso, por enquanto, Marcio e os outros 4 investidores não estão tomando decisões dentro do Santa Cruz, mas são consultados sobre alguns assuntos e fazem planejamentos para o futuro. Na semana que vem o Band.com.br publicará mais conteúdos sobre esses planos da SAF do Santa Cruz.

Neto comenta brigas entre torcidas de Sport e Santa Cruz: "São terroristas"

Tópicos relacionados