
Morumbi, estádio do São Paulo
Felipe Santos/Ceará SC
A Polícia Civil de São Paulo, em conjunto com o Ministério Público (MP-SP), abriu um terceiro inquérito envolvendo o São Paulo. A nova investigação apura supostas cobranças irregulares a empresas concessionárias que atuam nas dependências do clube, incluindo indícios de monopólio no uso de maquininhas de cartão e taxas sobre o faturamento.
O inquérito teve início a partir de um áudio atribuído ao ex-diretor social Antonio Donizete, o Dedé, no qual ele descreve valores cobrados de empresas para operar no clube. Procurado, o ex-dirigente não respondeu.
O que diz o áudio investigado
Na gravação, Dedé afirma que a taxa para uma empresa ingressar no clube variaria entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Em outro trecho, ele menciona a cobrança de até 20% do faturamento bruto das concessionárias. O áudio também sugere que os pagamentos feitos por cartão seriam direcionados diretamente ao clube.
“As maquininhas são nossas”, diz Dedé no material analisado pelas autoridades. A maior parte das empresas envolvidas atua na Praça de Alimentação Julio Casares, que pode ter o nome alterado por iniciativa de grupos ligados à antiga oposição interna. A apuração também alcança concessões na quadra de futevôlei.
O inquérito ainda está em fase inicial, mas há relatos de que máquinas de cartão foram retiradas dos pontos de venda.
Outros inquéritos em andamento
Além dessa nova apuração, outras duas investigações seguem em curso. A primeira, aberta em outubro, investiga supostos desvios financeiros, incluindo saques considerados atípicos em contas do clube e movimentações atribuídas ao ex-presidente Júlio Casares.
O segundo inquérito apura o uso irregular de espaços do clube, como o camarote 3A, no MorumBis. Essa investigação também teve origem em um áudio, envolvendo a intermediária Rita de Cássia Adriana Prado e os ex-diretores Mara Casares e Douglas Schwartzmann.
Mudanças internas e impacto político
Com o avanço das investigações, o São Paulo contratou empresas especializadas em compliance para apurações independentes. A decisão foi tomada após a posse definitiva de Harry Massis Júnior, que demonstrou insatisfação com a postura institucional do clube antes de assumir o comando.
A apuração sobre o camarote foi um dos elementos que embasaram o pedido de impeachment de Júlio Casares, aprovado no Conselho Deliberativo. O processo seguiria para assembleia de sócios, mas o dirigente optou por renunciar antes da votação.
Após a mudança de gestão, o CEO Márcio Carlomagno, considerado braço direito de Casares, deixou o clube. Dedé também saiu da função. Enquanto a versão interna aponta demissão, o ex-diretor afirma que renunciou por autopreservação.
Com Agência Estado
Não perca nenhum lance!
Leia o melhor do esporte de graça, direto no seu e-mail
Selecione os seus temas favoritos:

