
Trump e Infantino no sorteio
REUTERS/Mandel Ngan
Donald Trump será o verdadeiro "dono" da Copa do Mundo de 2026. Em tese, o principal chefe do evento é o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Mas nesta sexta (5), durante o sorteio da Copa, Infantino mostrou que está disposto a fazer tudo para agradar Trump.
Isso ficou claro quando Infantino entregou um recém-criado Prêmio da Paz para Trump. O próprio Infantino chegou a dizer, um mês atrás, que o presidente americano merecia ganhar o Nobel da Paz. Como isso não ocorreu, o presidente da Fifa criou esse "prêmio de consolo" - não houve qualquer critério estabelecido para dar esse prêmio a Trump. Inclusive a organização Human Rights Watch (Direitos Humanos Assistidos) tentou questionar a Fifa sobre isso, mas foi ignorada.
Infantino tentou explicar a homenagem no evento. Mostrou um vídeo que repetia uma frase bastante usada por Trump, de que ele já encerrou 8 guerras no atual governo - mas é um bordão muito questionado pela oposição nos Estados Unidos.
Depois, o presidente da Fifa entregou um troféu, uma medalha e leu um certificado em que dizia que Trump merecia ser reconhecido por "promover a paz e a união em todo o mundo".
Trump teve tempo para fazer um grande discurso de agradecimento e reforçou tudo que foi dito antes, usando aquele evento esportivo para fins políticos - como deve acontecer ao longo da Copa de 2026 também.
Logo depois da entrega do prêmio, Trump ainda voltou ao palco para "sortear" a seleção dos Estados Unidos - na verdade ela já tinha grupo definido previamente, assim como os outros países sede, Canadá e México. Líderes desses países também subiram no palco. Mas Trump soube aproveitar melhor o momento e até brincou sobre o nome de outro esporte, futebol americano. "Precisamos encontrar outro nome para a NFL (liga nacional de futebol americano). Realmente não faz sentido quando você pensa bem".
Quando essa parte do sorteio acabou, Infantino fez uma selfie com os 3 presidentes.
Antes do sorteio começar, Trump já tinha roubado a cena no evento. Chegou ao lado de Infantino e foi o mais procurado pela imprensa. Falou com jornalistas de todo mundo sobre diversos assuntos, tanto políticos quanto esportivos. Disse que a seleção dos Estados Unidos está melhorando e lembrou de Pelé.
"Vi até o Pelé jogar, isso entrega minha idade. Foi maravilhoso, foi um grande evento. Eu me lembro bem, fui um dos poucos que teve o privilégio de vê-lo ao vivo. Ele foi um dos grandes da história", afirmou.
Vale lembrar que Trump também era o dono do local onde aconteceu o sorteio, o Kennedy Center, que é do governo federal. Mas o aluguel desse tradicional centro cultural saiu de graça para a Fifa, pelo menos contratualmente. Isso causou polêmica e denúncias. Depois o governo Trump alegou que os pagamentos serão feitos de outras formas, com doações e patrocínios. Mas o caso ainda segue sob investigação no Senado.
Diante dessa realidade, a imprensa mundial repercutiu o poder de Trump no sorteio. A agência Reuters, por exemplo, publicou um texto com o título: "No sorteio da Copa do Mundo de 2026, o vencedor é... Donald Trump". Já o The Times manchetou: "Trump vence o sorteio da Copa do Mundo. Mas será que foi fraudado?". O Le Monde reconheceu a importância dele no evento: "Trump assume o protagonismo no sorteio".
E o The Guardian foi irônico: “a narração do vídeo da Fifa percorreu a lista duvidosa de oito conflitos que Trump alega ter resolvido em 10 meses. Não mencionou sua bajulação a Vladimir Putin, da Rússia, nem o assassinato extrajudicial de dezenas de pessoas não identificadas e sem julgamento em pequenas embarcações no Caribe”
Trump ganha o Prêmio da Paz - tem alguma chance de revisão do VAR?
Não é a primeira vez, e nem será a última, que o futebol é usado para fins políticos. Mas dessa vez ficará mais claro do que nunca.
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