
Neymar com a camisa da Seleção Brasileira
Vitor Silva/CBF
A possibilidade da Seleção Brasileira lançar uma camisa vermelha, vazada por um site internacional e ainda não confirmada pela CBF, acendeu um debate que foi muito além do gosto pessoal. Em poucas horas, os torcedores lotaram as redes com críticas, memes e opiniões — mas também correram pro Google atrás de explicações.
Segundo o Google Trends, o interesse de buscas por cores de bandeiras e uniformes de seleções aumentou 400% nas últimas 48 horas no Brasil. E isso revela mais do que uma simples curiosidade estética: o brasileiro quer entender o que pode ou não pode no futebol. Quais são as regras? Por que alguns países usam cores que nem estão na bandeira? De onde vêm essas decisões?
Entre os termos mais pesquisados aparecem:
- “Seleções que não usam as cores da bandeira”
- “Seleções que têm bandeira de uma cor e uniforme de outra”
- “Por que a camisa da Itália é azul?”
- “Por que a Holanda joga de laranja?”
A dúvida virou tendência. E a resposta começa com a FIFA.
O que dizem as regras da FIFA sobre os uniformes?
De acordo com os Regulamentos de Equipamento da FIFA, todas as seleções devem registrar pelo menos dois conjuntos de uniforme: um claro e um escuro. A ideia é evitar confusões visuais durante os jogos. Além disso, os uniformes precisam seguir algumas diretrizes: podem ter no máximo quatro cores diferentes, precisam ser iguais para todos os jogadores de linha, e os goleiros devem ter trajes distintos dos demais em campo.
Mas não há nenhuma regra que obrigue os países a usarem apenas as cores da bandeira em seus uniformes. Ou seja: se a camisa da Seleção fosse mesmo vermelha, não estaria infringindo nenhuma norma.
E é isso que muita gente queria entender: o que pode? O que é tradição? O que é invenção?
As cores que não batem com a bandeira
Esse movimento de buscar informações sobre "cores que não têm nada a ver com a bandeira" também aparece em outros dados: entre os termos em alta no Google estão “cores da bandeira da Itália”, “cores da bandeira da Alemanha”, “cores da bandeira do Brasil Império” e até “cores da bandeira da Família Real”.
Não por acaso. Várias seleções consagradas usam cores “fora da bandeira” há décadas — e têm motivos históricos ou culturais fortes pra isso.

- Itália: veste azul em homenagem à Casa de Savoia, dinastia que unificou o país no século 19. O tom virou símbolo nacional e a seleção é conhecida como Azzurra, mesmo que azul não apareça na bandeira.
- Holanda: usa laranja, cor da Casa de Orange-Nassau, ligada à independência e à realeza. É por isso que a seleção se chama Oranje.
- Alemanha: tradicionalmente de branco, por influência do Reino da Prússia, apesar da bandeira atual ser preta, vermelha e dourada.
- Japão: joga de azul porque a cor foi adotada oficialmente pela Federação Japonesa de Futebol (JFA). O tom representa a identidade da seleção — conhecida como Samurai Blue — e também remete ao oceano Pacífico e aos uniformes universitários, que marcaram o início do futebol no país.
- Austrália: joga de verde e dourado, cores consideradas “nacionais” mas ausentes na bandeira, que tem fundo azul com o símbolo britânico.
- Venezuela: joga de vinho desde os anos 1930. A cor foi escolhida por ser sóbria, diferente das vizinhas e virou símbolo nacional no esporte — por isso o apelido “La Vinotinto”.
- Gana e Irlanda do Norte: também seguem caminhos próprios na escolha dos uniformes, muitas vezes baseados em história, tradição ou identidade cultural.

Essa explosão nas buscas mostra que, por trás da treta sobre a camisa vermelha, existe uma vontade real de entender mais sobre a Seleção e sobre como o futebol funciona em nível internacional.
O torcedor quer saber das regras, mas também da história. Quer saber se é permitido, mas também se faz sentido. E é exatamente esse tipo de curiosidade que mostra o quanto a relação do brasileiro com a Seleção vai além da paixão — é uma mistura de identidade, memória e orgulho.
Enquanto a CBF não confirma (nem nega) se vem mesmo uma camisa vermelha por aí, o brasileiro já deu um jeito de se atualizar — e de comparar com o mundo todo.
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