Esporte na Band

Vitória do PSG na Champions acaba com mais de 400 prisões e caos na França

Festa pelo bicampeonato europeu teve confrontos com a polícia, carros incendiados e lojas destruídas

Da redação
DA REDAÇÃO

31/05/2026 • 06:55 • Atualizado em 31/05/2026 • 12:23

Policiais patrulham ruas de Paris após comemorações pela conquista do bicampeonato da Champions League pelo PSG terminarem em confrontos, incêndios e mais de 400 prisões na França

Policiais patrulham ruas de Paris após comemorações pela conquista do bicampeonato da Champions League pelo PSG terminarem em confrontos, incêndios e mais de 400 prisões na França

Abdul Saboor-31.mai.2026/Reuters

A conquista da Liga dos Campeões pelo Paris Saint-Germain transformou as ruas de Paris e de outras cidades francesas em cenário de confrontos, incêndios e vandalismo na noite deste sábado (30). Após a vitória do PSG sobre o Arsenal nos pênaltis, 416 pessoas foram presas, sete policiais ficaram feridos e veículos, lojas e mobiliário urbano foram destruídos, segundo o Ministério do Interior da França.

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Na capital francesa, milhares de torcedores ocuparam a Champs-Élysées e regiões próximas ao estádio Parc des Princes para celebrar o bicampeonato europeu do clube. Embora parte da festa tenha transcorrido de forma pacífica, grupos menores entraram em confronto com a polícia, incendiaram objetos nas ruas, quebraram vitrines e lançaram fogos de artifício contra agentes de segurança.

Imagens exibidas pela BBC mostraram bicicletas elétricas queimando em avenidas da capital, fumaça em diferentes pontos da cidade e torcedores destruindo fachadas comerciais. Policiais equipados para controle de distúrbios foram vistos perseguindo grupos de torcedores e apagando sinalizadores deixados no asfalto. Em áreas do centro de Paris, agentes recorreram ao uso de gás lacrimogêneo para dispersar multidões.

Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, 280 das detenções ocorreram apenas em Paris, enquanto episódios de violência foram registrados em cerca de 15 cidades do país. Em entrevista reproduzida pela imprensa francesa, ele classificou os tumultos como “absolutamente inaceitáveis”, embora tenha ressaltado que os episódios já eram esperados pelas autoridades.

“Houve celebrações pontuadas por alguns distúrbios, algo que previmos e, portanto, antecipamos”, afirmou Nuñez, segundo o jornal New York Times, ao comentar a resposta policial durante a madrugada.

A polícia de Paris informou que seis veículos, dois estabelecimentos comerciais e um ponto de ônibus foram danificados durante os confrontos. Também houve registros de carros incendiados e de tentativas de bloqueio do Boulevard Périphérique, anel viário que circunda a capital francesa. Segundo Nuñez, as forças de segurança conseguiram dispersar rapidamente os bloqueios.

O jornal britânico The Guardian informou que um pequeno grupo tentou invadir uma delegacia de polícia no 8º distrito de Paris, uma área de alto padrão da cidade. A ação foi dispersada pelas autoridades. O periódico também relatou episódios em que torcedores dispararam fogos de artifício contra policiais durante as comemorações.

Os primeiros sinais de tensão já haviam surgido ainda durante a final. Mais de 40 mil pessoas acompanharam a partida em telões no estádio Parc des Princes, em Paris, e, segundo The Guardian, houve confrontos pontuais ao redor do local antes mesmo do apito final.

A França havia montado uma ampla operação de segurança para a decisão da Champions League. Segundo o governo, 22 mil policiais foram mobilizados para patrulhar Paris e conter possíveis distúrbios. O reforço ocorreu após a experiência do ano passado, quando a conquista anterior do PSG terminou com episódios de violência que deixaram mortos e quase 200 feridos.

Desta vez, o governo francês afirmou ter preparado um esquema mais robusto. “Havia um sistema muito sólido em funcionamento”, disse Nuñez, segundo a BBC, ao defender a atuação das forças de segurança.

Apesar dos confrontos, as celebrações oficiais da conquista foram mantidas. O elenco do PSG deve desfilar neste domingo (31) no Champ-de-Mars, área próxima à Torre Eiffel, antes de ser recebido pelo presidente Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu.

A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, criticou os distúrbios nas redes sociais. “Só na França a vitória de um clube de futebol provoca tumultos”, escreveu a política na plataforma X.

O contraste entre a festa esportiva e a madrugada de violência impôs novo desafio às autoridades francesas: conter os excessos de uma celebração que, pelo segundo ano seguido, extrapolou os limites do futebol.

Em campo, o PSG conquistou o bicampeonato da Champions após uma final equilibrada contra o Arsenal, decidida nos pênaltis em Budapeste. O time inglês abriu o placar ainda no primeiro tempo, mas a equipe comandada pelo técnico Luis Enrique reagiu na etapa final e levou a decisão para a prorrogação.

Nas cobranças, o clube francês foi mais eficiente e garantiu o título europeu diante de uma torcida que, horas depois, transformaria a comemoração em episódios de violência em Paris e outras cidades do país. O zagueiro Gabriel Magalhães perdeu o pênalti decisivo.