
Reconstruído no século XXI, Wembley não poupou nem mesmo as tradicionais torres do lado de fora
Wembley Stadium/Site oficial
A Copa da Inglaterra vai conhecer o campeão da edição 2026 neste sábado (16), quando Chelsea e Manchester City se enfrentarem no Estádio de Wembley a partir das 11h (horário de Brasília).
Mas enquanto definem o mais novo vencedor da tradicional competição, os dois clubes ajudam a escrever mais um capítulo do estádio que se tonou um símbolo do próprio futebol inglês – escrita com tradição, é claro, mas também com dificuldades nos primeiros anos e com ousadia para deixar o passado para trás.
Wembley, o Estádio do Império
Desde o começo do século XX, a realeza britânica já planejava a realização de uma grande exposição para exibir os frutos da presença do Reino Unido em colônias ao redor do mundo. Demorou quase duas décadas até que as autoridades locais decidissem em 1920 que o evento aconteceria em Wembley Park, uma região em Brent, cidade na região metropolitana de Londres.
O evento foi realizado durante um ano, entre 1º de novembro de 1924 e 31 de outubro de 2025. Para tal, os organizadores construíram um grande estádio, que inicialmente foi chamado de Estádio da Exposição do Império Britânico - ou apenas Estádio do Império – e ficava no mesmo local que já recebia jogos de futebol desde o final do século XIX.
O estádio foi descrito na época como a maior arena esportiva do mundo e foi inaugurado em 24 de abril de 1923. Apenas quatro dias depois, veio o primeiro evento oficial do novo estádio nacional dos britânicos: a final da Copa da Inglaterra. O Bolton Wanderers ficou com o título ao vencer o West Ham por 2 a 0.
Contas pagas
Curiosamente, a ideia era que o Estádio do Império fosse uma instalação provisória, a ser demolida ao fim da exposição. A decisão da Copa da Inglaterra, no entanto, mostrou que o destino da construção seria outra: a partida teve entrada gratuita e atraiu oficialmente mais de 125 mil torcedores, embora estimativas da época falem em assombrosos 300 mil presentes. O policiamento precisou utilizar cavalos para apartar o público, o que fez aquela partida ficar conhecida como a Final do Cavalo Branco.
A exposição imperial de 1924 acabou sendo um fracasso, e o temor da época era de que o estádio de mostrasse uma instalação subutilizada. De fato, o local por maus momentos financeiros e chegou a ser vendido para um investidor chamado James White, que queria demoli-lo para a construção de prédios no terreno. O estádio só foi salvo em 1927, quando foi vendido a um empresário chamado Arthur Elvin, que passou a realizar corridas de cães no estádio e ajudou a viabilizá-lo financeiramente.
A grandeza da construção, com destaque especial para as duas torres idênticas do lado de fora, fizeram do estádio em Wembley o principal estádio do futebol na Inglaterra, substituindo palcos que vinham sendo utilizados para as finais da Copa da Inglaterra desde o século XIX – especialmente o Kennington Oval, mas também o antigo campo na região de Crystal Palace e estádios como Goodison Park, Old Trafford e Stamford Bridge. A partir da temporada 1923/1924, os ingressos passaram a ser cobrados para a final da Copa da Inglaterra, ajudando a manter as contas do local no azul.
Com o passar dos anos, Wembley se consolidou como casa de grandes eventos. Recebeu os Jogos Olímpicos de 1948, a Copa do Mundo de 1966 e a Eurocopa de 1996, além de cinco finais da então Copa dos Campeões da Europa. Neste período, teve apenas um grande “rival”: o White City Stadium, em Londres, que recebia 93 mil torcedores, mas que acabou de fato sendo pouco utilizado (foi casa do Queen’s Park Rangers em curtos períodos) e acabou sendo demolido na década de 1980 para dar lugar a um complexo de edifícios.
Estava criada a tradição: a final da Copa da Inglaterra seria sempre em Wembley. E salvo uma rara exceção em 1970, assim foi até o final do século XX, quando o Estádio de Wembley foi demolido.
Novo Wembley
Em setembro de 2002, o local veio abaixo para dar lugar a uma versão renovada – e nem mesmo as emblemáticas torres do lado de fora foram poupadas. A reconstrução só foi concluída em 2007. Durante todo este período, a final da FA Cup foi realizada no Millenium Stadium, em Cardiff (Gales). No lugar das torres, a nova arena ganhou um emblemático arco que atinge 133 metros de altura.
O estádio é menor que o original, embora não pequeno: são 90 mil lugares para torcedores, protegidos do sol e da chuva por uma cobertura móvel. A Copa da Inglaterra voltou a ser decidida lá em 2007, quando o Chelsea ficou com o título ao vencer o Manchester United por 1 a 0, gol de Didier Drogba na prorrogação.
Foi a primeira das cinco taças do torneio que o Chelsea conquistou no novo Wembley, chegando a oito no total. O City, por sua vez, conquistou apenas duas no período, totalizando sete na história do torneio. Agora, os dois times se reencontram na moderna casa do futebol inglês para ver quem se aproxima dos maiores vencedores da história da Copa – o Arsenal tem 14 conquistas, contra 13 do Manchester United.
Onde assistir
Chelsea e Manchester City medem forças neste sábado (16) a partir das 11h. A ESPN Brasil (TV por assinatura) e o Disney+ (streaming) transmitem a partida ao vivo.
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