Internacional

Ataques no Mar Negro elevam temor de escalada entre Rússia e Otan

Embora autoridades europeias apontem possíveis interesses russos nos incidentes, ainda não há provas conclusivas sobre a responsabilidade pelos ataques

4 min

16/10/2026 15:03 • Atualizado há 14 horas

Ataques no Mar Negro elevam temor de escalada entre Rússia e Otan

Kremlin.ru/Handout via REUTERS

Uma série de ataques com drones contra ao menos sete navios cargueiros no Mar Negro, próximos às costas da Romênia e da Bulgária, em outubro de 2026, deixou duas pessoas mortas e pelo menos 25 desaparecidas e aumentou a tensão entre a Rússia e os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os incidentes atingiram embarcações nas zonas econômicas exclusivas dos dois países europeus e levantaram suspeitas de envolvimento russo, embora não haja provas conclusivas sobre a autoria.

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Os ataques registrados em outubro de 2026 aumentaram as suspeitas de que Moscou esteja tentando testar a disposição da aliança militar em manter o apoio a Kiev. Embora autoridades europeias apontem possíveis interesses russos nos incidentes, ainda não há provas conclusivas sobre a responsabilidade pelos ataques.

Ataques atingem navios perto da Romênia e da Bulgária

Nos episódios mais recentes, dois navios foram atingidos por drones na quarta-feira e na quinta-feira, provocando incêndios. Um dos ataques ocorreu em águas territoriais romenas. Em Bruxelas, o presidente da Romênia, Nicusor Dan, afirmou que dois drones atingiram as embarcações, sem atribuir a autoria dos ataques. Ele, porém, advertiu que "haverá uma reação do Estado romeno".

O primeiro-ministro da Bulgária, Rumen Radev, afirmou ao Parlamento que não faria sentido a Ucrânia atacar navios e tripulações ligados às próprias exportações. Segundo ele, os ataques beneficiam a Rússia, embora não haja provas conclusivas que permitam responsabilizar Moscou.

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Rússia bombardeia portos ucranianos no Mar Negro

Desde o início da guerra contra a Ucrânia, a Rússia tem bombardeado repetidamente portos ucranianos no Mar Negro e no rio Danúbio. Os ataques levaram Kiev a depender mais de rotas alternativas para exportar grãos a mercados da África e do Oriente Médio.

Drones russos também já invadiram o espaço aéreo da Romênia em diferentes ocasiões, nas proximidades de portos ucranianos situados no Danúbio. A recorrência desses episódios aumenta a preocupação com a segurança dos países da Otan próximos ao conflito.

Um integrante do setor de defesa romeno ouvido pela Associated Press (AP), sob condição de anonimato por não estar autorizado a falar publicamente, avaliou que os ataques buscam prejudicar economicamente a Ucrânia. Segundo ele, "a Romênia não é o alvo agora". A fonte também relatou que autoridades encontram frequentemente destroços e sinais de drones no mar e em praias.

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Otan discute segurança e limites da defesa coletiva

Os incidentes também reacenderam o debate sobre a aplicação do Artigo 5 da Otan, que estabelece o princípio da defesa coletiva e prevê que um ataque armado contra um país-membro seja considerado um ataque contra todos. A aplicação da cláusula, no entanto, depende da avaliação das circunstâncias de cada ocorrência.

Na quinta-feira, o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou ter se reunido com Rumen Radev e Nicusor Dan para discutir a segurança no Mar Negro. Segundo ele, a Otan reforçou sua postura na fronteira leste, inclusive com o aumento da capacidade de defesa contra drones, e continuará ajustando as medidas de dissuasão e defesa conforme necessário.

O analista romeno de defesa Radu Tudor afirmou que ainda há dúvidas sobre a possibilidade de ataques nas zonas econômicas exclusivas serem enquadrados nas circunstâncias que justificariam uma resposta com base no Artigo 5. Isso porque essas áreas marítimas não equivalem, juridicamente, ao território soberano de um país. Para o especialista, a multiplicação dos incidentes também levanta questionamentos sobre a velocidade da resposta da aliança na região.

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Países ampliam planos de defesa contra drones

Segundo a fonte do setor de defesa romeno ouvida pela AP, a Turquia teria interesse em reunir os países costeiros do Mar Negro para discutir uma missão de escolta de comboios em um corredor seguro com proteção militar. A iniciativa, contudo, enfrentaria riscos e dificuldades diante da falta de sistemas de defesa adequados.

Paralelamente, o Ministério da Defesa da Bulgária informou que o país planeja aderir até o fim de outubro de 2026 ao projeto Drone Edge, da Otan, lançado em julho. A Romênia também participa da iniciativa, que tem como meta investir mais de US$ 40 bilhões em capacidades de combate a drones nos próximos cinco anos.

Em julho, Romênia, Bulgária e Turquia também ampliaram o acordo naval da Força-Tarefa de Contramedidas de Minas no Mar Negro. O pacto passou a incluir a proteção de infraestruturas submarinas consideradas críticas.

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