"Brasil tem pressa de se tornar país desenvolvido e justo", diz Lula na ONU
Presidente cobra combate à fome, redução de desigualdades e mais investimentos em educação e saúde públicas

Em discurso nesta sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o combate à fome, à desigualdade e a construção de um modelo de desenvolvimento sustentável e socialmente justo sejam prioridades globais, com Estados que coloquem os mais pobres no orçamento e façam os mais ricos pagarem a sua parte.
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Combate à desigualdade e aos ataques aos ODS
Ao tratar da agenda de desenvolvimento sustentável, Lula afirmou que metas como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são contestadas por setores que resistem à redução de privilégios e à ampliação de direitos sociais.
"Os objetivos de desenvolvimento sustentável são alvo de ataques de forças reacionárias que desejam naturalizar injustiça. A desigualdade ou subdesenvolvimento resultam de escolhas políticas. É possível colocar pobre no orçamento e fazer os ricos pagarem a sua parte. É necessário cortar o privilégio e investir em educação e saúde gratuitas e de qualidade", declarou o presidente brasileiro.
Na visão de Lula, enfrentar a fome e a concentração de renda exige decisões que coloquem o orçamento público a serviço da maioria e que cortem benefícios considerados injustos para grupos minoritários de alta renda.
Mudança sem retrocessos de direitos
Em outro trecho, Lula comentou o clima de insatisfação social em diferentes países e advertiu que o desejo de mudança não deve ser usado para enfraquecer direitos já conquistados ou para reabilitar ideologias discriminatórias.
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"Existe em todo o mundo um anseio legítimo por mudanças, mas mudar não é retroceder. Mudar não é subtrair direitos, não é reeditar a teoria de supremacia racial ou de submissão feminina, não é recolonizar o sul global. Mudar e avançar para um futuro de mais participação e mais conquistas é criar e compartilhar soluções públicas efetivas para os desafios do desenvolvimento", afirmou Lula.
O presidente utilizou o discurso para defender sistemas democráticos mais participativos, com políticas públicas desenhadas para reduzir desigualdades estruturais e garantir presença ativa de grupos historicamente excluídos, como mulheres, populações negras e países em desenvolvimento.
Estado forte e cooperação com o sul global
Lula também destacou o papel de um Estado estruturado e da cooperação internacional na superação dos desafios sociais, citando iniciativas que o país apoia para articular respostas multilaterais contra a fome e a desigualdade.
"Por meio de um Estado democrático, forte, eficiente e capaz, é apostar no espírito de solidariedade e na cooperação com a África, a Ásia e a América Latina e Caribe. Iniciativas como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o Painel Internacional sobre Desigualdade nascem dessa vontade política. O Brasil tem pressa de se tornar uma nação desenvolvida e socialmente justa. Adotamos um modelo econômico que se assenta na distribuição de renda, na geração de empregos e na valorização do salário. Apostamos na melhoria da produtividade, na ampliação do crédito e na construção de uma rede robusta de proteção social. O Brasil voltou a crescer de modo sustentado", disse o presidente.
Ao relacionar essas iniciativas à realidade interna, Lula apresentou o país como exemplo de modelo econômico focado na distribuição de renda e na proteção social, ao mesmo tempo em que busca elevar produtividade e ampliar o acesso ao crédito para sustentar o crescimento.
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Conforme ele argumentou no plenário das Nações Unidas, combinar políticas sociais robustas, cooperação internacional e defesa dos direitos humanos é o caminho para que nações em desenvolvimento acelerem sua transformação em sociedades mais igualitárias.
