Brasileiro relata tensão e destruição no Nepal: “Medo estampado nos olhos”
Fabrício Guaitacá relatou, à BandNews TV, o drama no país apósn enchentes, deslizamentos e avalanches que mataram mais de 350 pessoas

Um brasileiro que vive no Nepal relatou o clima de tensão vivido no país após uma tragédia provocada por enchentes, deslizamentos e avalanches. O desastre já soma quase 1.500 desaparecidos e mais de 350 mortos.
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Resgate difícil e corpos arrastados
Segundo o relato de Fabrício Guaitacá à BandNews TV, a situação é dramática e as autoridades correm contra o tempo para tentar resgatar sobreviventes. Em algumas regiões, a quantidade de lama e os riscos impedem até mesmo a descida de helicópteros para auxiliar nos resgates.
Mesmo em áreas distantes de onde o fenômeno ocorreu inicialmente, os efeitos são sentidos. "53 corpos foram achados nas proximidades aqui da cidade pelos rios que foram trazidos pela correnteza, ou seja, ainda que nós não vemos a enchente acontecer aqui perto, mas mentalmente as pessoas estão bastante afetadas". Ele acrescentou que "com certeza há riscos grandes de que muitas pessoas - muitos corpos - não serão encontrados, porque o tamanho foi muito grande, e a área afetada de asfalto somente são 55 km, fora as áreas de montanhas e áreas de rios também".

Impacto no cotidiano e isolamento
O luto e o medo marcaram o dia a dia da população local, que lida com cortes no abastecimento de energia elétrica, falta de água e restrições no fornecimento de gás.
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"Nós estamos impedidos de sair da cidade e ir para outra cidade, a não ser que seja por avião. Então, as vias terrestres estão completamente fechadas porque há risco de desmoronamento em quase todo o Nepal no momento", disse. "Até hoje mesmo o preço dos alimentos já subiu aqui na cidade, dado o ocorrido de ontem, e eu acredito que vai demorar um tempinho para voltar tudo ao normal".
Solidariedade e fé em meio à crise
Apesar da vulnerabilidade financeira e estrutural do país, o morador destacou a forte união e o senso de comunidade dos nepaleses. "O que vejo no Nepal é que as pessoas têm uma essência de comunidade, de generosidade, e as pessoas elas são dispostas a reconstruir tudo o que aconteceu".
O brasileiro também pontuou o que pôde observar no rosto das pessoas em meio à tragédia. "Descendo e olhando nos olhos das pessoas próximos aos lagos, próximos aos rios, e vendo ali o medo estampado nos olhos dessas pessoas, o que elas têm para ali no momento é o apego à fé, à espiritualidade, à esperança de que aquilo não aconteça com elas também", disse. "O Nepal é um país que é escasso financeiramente do dinheiro, porém que é rico de beleza natural, é rico desse senso de comunidade e de humanidade. É com esses olhos que eu vejo o Nepal. É realmente de partir o coração, o luto aqui no país é muito grande".
