Calor antecipa colheita da uva e altera produção de champanhe na França
Ondas de calor aceleram maturação dos vinhedos em Champagne; produtores concluem colheita em agosto para preservar qualidade da bebida

A colheita da uva na região de Champagne, no nordeste da França, registra o início mais precoce da história do cultivo local. O avanço das ondas de calor extremo e o tempo seco anteciparam a maturação das videiras, forçando viticultores a iniciar e praticamente concluir os trabalhos nos campos ainda no mês de agosto.
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Historicamente, a vindima — processo de colheita manual das uvas destinadas à produção vinícola — costuma ocorrer em meados ou no final de setembro, podendo se estender até outubro. Contudo, a intensificação das mudanças climáticas no continente europeu alterou o calendário tradicional das propriedades agrícolas.
Impacto das altas temperaturas na colheita
Os campos de cultivo em localidades como Fleury-la-Rivière já operam na fase final de recolhimento dos frutos. As férias de verão no mês de agosto praticamente deixaram de existir para os trabalhadores rurais do setor vitivinícola diante da necessidade de colher os cachos com rapidez.
O vinicultor aposentado Denis Velut destacou a transformação histórica no campo. Ele lembra que, durante sua infância, a colheita ocorria somente após o retorno do período escolar, na última semana de setembro ou em outubro, sob temperaturas consideravelmente mais frias.
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O produtor de champanhe Benoit Velut afirma que os agricultores tinham previsão sobre a chegada de períodos quentes, mas ressalta surpresa com a velocidade e a intensidade das variações do clima. Desde 2003, episódios pontuais de colheita em agosto foram registrados na região, porém nunca em datas tão prematuras.
Clima afeta teor de açúcar e sabor do vinho
O calor intenso atingiu a Europa a partir de maio, acompanhado de focos de queimadas e períodos prolongados de seca severa. Essa combinação meteorológica acelera o desenvolvimento biológico das plantas e altera a composição físico-química dos frutos.
Com a elevação contínua dos termômetros, as uvas amadurecem mais rápido e concentram maior quantidade de açúcar. Essa alteração direta interfere no sabor, na graduação alcoólica e no equilíbrio final do produto engarrafado.
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Segundo o produtor Lysandre Nizio, a qualidade do vinho depende exclusivamente do equilíbrio aromático e do ponto exato de maturação da matéria-prima. Após a apanha nos vinhedos, os frutos seguem imediatamente para a prensagem mecânica, etapa inicial para a fermentação e fabricação do champanhe. O principal desafio da indústria vinícola francesa consiste em preservar os métodos seculares de fabricação diante das constantes transformações do clima global.
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