Cessar-fogo em Gaza não impediu Israel de cometer genocídio, diz relatório
Comissionados pela ONU acusaram as forças israelenses de crimes contra a humanidade, incluindo tortura e estupro, na Cisjordânia

Gaza
Reuters
Um acordo de cessar-fogo em Gaza não interrompeu o que um grupo de especialistas independentes, comissionados pela Organização das Nações Unidas (ONU), classifica como um genocídio perpetrado por Israel no território, afirmou a equipe em um novo relatório divulgado nesta segunda-feira. Eles também acusaram as forças israelenses de crimes contra a humanidade, incluindo tortura e estupro, na Cisjordânia.
Continua depois da publicidade
As conclusões da Comissão de Inquérito sobre o Território Palestino Ocupado - que busca documentar, de forma minuciosa, alegações e evidências de crimes para promover a responsabilização dos autores - poderão ser utilizadas por promotores do Tribunal Penal Internacional (TPI), ou de outras jurisdições, na tentativa de garantir justiça às vítimas e a seus familiares.
O relatório afirma que Israel continua a "cometer atos genocidas, com a intenção genocida de destruir, total ou parcialmente, os palestinos em Gaza".
Segundo o documento, grande parte dos danos decorre do avanço de Israel para áreas mais profundas de Gaza durante o período de cessar-fogo.
Continua depois da publicidade
A comissão informou que, desde outubro de 2023 - data em que o cessar-fogo foi firmado -, as forças israelenses ampliaram seu controle sobre o território, passando de 53% para pelo menos 60% de Gaza.
Nesse período, disparos efetuados pelas forças israelenses ao longo da frente de avanço mataram pelo menos 196 palestinos - incluindo 18 mulheres, 32 meninos e 11 meninas, segundo a comissão.
O relatório também acusa soldados e guardas prisionais israelenses de crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Cisjordânia, incluindo extermínio, tortura, estupro e outras formas de violência sexual e perseguição contra civis.
Continua depois da publicidade
Com Associated Press.
