Como as turnês do BTS injetam bilhões e movem o consumo global
Os fãs não são os únicos que ficam animados com a vinda do BTS ao Brasil. A boy band é uma verdadeira mina de dinheiro para a Coreia do Sul, mas também gera

BTS se apresenta nesta quarta-feira (28) em São Paulo
Divulgação
Os fãs não são os únicos que ficam animados com a vinda do BTS ao Brasil. A boy band é uma verdadeira mina de dinheiro para a Coreia do Sul, mas também gera grande impacto em economias ao redor do mundo — tão grande que chamou a atenção de pesquisadores e especialistas e ganhou nome próprio: BTSnomics.
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No Brasil não é diferente. A banda realiza neste sábado (30) o último de três shows da turnê BTS World Tour Arirang em São Paulo, no estádio MorumBIS. A estimativa da São Paulo Turismo (SPTuris) é de que a vinda do grupo ao país tenha movimentado R$ 330 milhões na economia da capital paulista. O valor considera desde a compra dos ingressos aos gastos dos visitantes com comércio, hotelaria e serviços.
O fenômeno vem sendo estudado desde 2018 por acadêmicos e analistas, que apontam o modelo de engajamento da banda como um estudo de caso para entender o comportamento da economia e do marketing atualmente.
O que eles concluem é que o grupo é um ativo econômico de escala gigantesca e um fenômeno de grande valor agregado, tanto na Coreia do Sul quanto na economia global. Para se ter ideia da dimensão do alcance, são mais de 30 milhões de ouvintes mensais no Spotify, com músicas que chegam à casa dos bilhões de plays.
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No Brasil, os ingressos para os três shows deste ano esgotaram completamente em menos de 90 minutos. A estimativa é de que o público dos três dias seja de 253.374 pessoas, uma média de 84.458 espectadores por show.
BTS fez PIB da Coreia do Sul crescer 0,3%
Em 2018, um estudo do Hyundai Research Institute (HRI) quantificou pela primeira vez o tamanho do BTS em dinheiro, estimando que o grupo gerava anualmente entre US$ 3,6 bilhões e US$ 4,65 bilhões na economia sul-coreana. O valor agregado específico calculado pelo instituto equivale a 0,3% de todo o PIB da Coreia do Sul na época, arrecadando 4,14 trilhões de wons.
O impacto financeiro também acontece de maneira indireta com o aumento do fluxo de turistas na Coreia do Sul. O HRI estimou que 800 mil turistas estrangeiros visitam o país anualmente por influência do grupo, o que equivale a 1 em cada 13 visitantes internacionais.
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Outra estimativa feita pela corretora NH Investment & Securities é de que, até 2040, o consumo dos fãs da banda pode contribuir em até 0,35% por ano no PIB do país. O valor equivale a US$ 6,58 bilhões anuais.
Fora da Coreia do Sul, a movimentação econômica atinge picos quando a banda está em turnê. Além do caso de São Paulo, o órgão oficial de turismo de Las Vegas estimou que o impacto econômico na cidade foi de US$ 340 milhões após o BTS realizar quatro shows no Allegiant Stadium, em 2022.
Michael Mariano, pesquisador da agência de pesquisas sobre desenvolvimento econômico Tourism Economics comparou o impacto da passagem do BTS nos Estados Unidos à escala da Copa do Mundo em termos de gastos médios de visitantes.
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A presença cultural do grupo impulsiona a demanda em outros países por produtos coreanos que vão além da música: alimentação, itens de moda e os produtos de beleza coreanos (os famosos k-beauty) são outros setores que cresceram exponencialmente por influência. Também tem causado uma mudança emblemática no consumo de música.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o BTS representa até 30% de todo o consumo de k-pop, sendo que o mercado fonográfico do país é um dos mais sólidos e dos que mais exportam talentos em escala global.
