Congresso suspende sessão que analisa renúncia de presidente do Paraguai
Aliados de Peña deixam plenário em protesto; Ministério Público abre investigação sobre escândalo do Ueno Bank

Parlamentares da oposição avançam com os esforços para destituir o presidente Santiago Peña
Cesar Olmedo/Reuters
O Congresso do Paraguai suspendeu nesta quinta-feira (5) a sessão extraordinária convocada em Assunção para analisar a renúncia do presidente Santiago Peña, depois que parlamentares aliados ao governo deixaram o plenário em protesto e derrubaram o quórum mínimo.
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Parlamentares oficialistas, em sua maioria do Partido Colorado, se retiraram para áreas internas, como banheiros e gabinetes, em sinal de resistência à votação, o que impediu a continuidade dos trabalhos. Com a suspensão, Peña segue no cargo, e uma nova sessão deve ser convocada para amanhã (6), segundo deputados.
Do lado de fora do Congresso, manifestantes voltaram a protestar contra o governo e houve choque com a polícia, de acordo com registros divulgados pela imprensa paraguaia.
Crise do Ueno Bank
A sessão ocorre em meio à crise provocada pela intervenção do Banco Central no Ueno Bank, por grave insuficiência de capital. A medida congelou contas de cerca de 3 milhões de clientes e revelou um rombo estimado em mais de R$ 4 bilhões. O escândalo ganhou o apelido de "Master Paraguayo" e gerou forte pressão social.
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Diante do desgaste, Peña comunicou nesta quinta-feira que apresentou sua renúncia ao cargo, alegando defender a estabilidade do país e a tranquilidade dos correntistas. Em vídeo, afirmou que "nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai" e pediu desculpas ao povo caso tenha "falhado" com a confiança dos eleitores.
Partidos de oposição, porém, mantiveram o pedido de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, por suposto mau desempenho de funções e conflito de interesses em relação ao banco. A Câmara dos Deputados aprovou o processo, que ainda será analisado pelo Senado.
Investigações sobre Peña
Paralelamente à disputa política, o Ministério Público do Paraguai abriu processo penal para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos depositados no Ueno Bank e a relação de Peña com empresas ligadas ao grupo financeiro.
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Segundo o jornal "Hoy", os promotores Elena Fiore Franco, Silvia González Vöster e Christian Manuel Cáceres, da unidade especializada em crimes econômicos e corrupção, foram designados para conduzir o caso, sob coordenação da procuradora-adjunta Nancy Salomón Marín.
A denúncia apresentada por parlamentares da oposição cita possíveis divergências nas declarações de patrimônio do presidente entre 2017 e 2023, aumento de bens considerado incompatível com o cargo e participação em empresas relacionadas ao banco.
Os autores pedem apurações sobre conselheiros do Banco Central e outras autoridades que mantinham dinheiro na instituição, mencionando suspeitas de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e administração fraudulenta. Peña ainda não respondeu detalhadamente às acusações e afirma que sua prioridade é garantir a devolução dos depósitos e preservar a estabilidade da República.
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Sucessão indefinida
Para que a renúncia produza efeito, o Congresso precisa aceitá-la oficialmente. Caso isso ocorra, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência. Com a suspensão da sessão desta quinta-feira, a definição sobre o comando do país ficou para a nova reunião prevista para amanhã, em meio à maior crise financeira recente do Paraguai.
