Internacional

Crânios de 5.000 anos revelam possíveis sacrifícios humanos no Egito

Um estudo de 46 crânios encontrou sinais de golpes fatais que passaram despercebidos por décadas

2 min

07/10/2026 06:00 • Atualizado há 3 horas

Crânios de 5.000 anos revelam possíveis sacrifícios humanos no Egito

Análises forenses recentes realizadas com métodos modernos para estudar crânios da Primeira Dinastia em Abidos (por volta de 3.000 a.C), no Egito, revelaram a existência de sacrifícios humanos ligados à realeza.

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No início do século 20, o arqueólogo Flinders Petrie descobriu numerosas tumbas secundárias em Abidos e levantou a hipótese de que servos teriam sido mortos de forma deliberada, embora não tenha encontrado provas físicas conclusivas.

Agora, a pesquisadora Roselyn Campbell, da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, demonstrou que muitos indivíduos sofreram lesões fatais na cabeça antes de morrer. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Frontiers in Environmental Archaeologynesta segunda-feira (05/10).

Essas tumbas foram escavadas na década de 1920 por Petrie, que suspeitava que tantas pessoas não poderiam ter morrido simultaneamente por causas naturais, mas não encontrou evidências que confirmassem a existência de ferimentos letais.

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Uma nova reavaliação de uma amostra de crânios do sítio arqueológico utilizando métodos forenses modernos demonstrou agora que ao menos 39% desses indivíduos podem ter sido mortos deliberadamente por meio de golpes na cabeça.

O significado do sacrifício

Os complexos funerários de Abidos foram construídos por volta de 3.000 a.C. pelos primeiros reis de um Egito unificado. Além das tumbas reais, os complexos incluíam tumbas em câmaras e recintos provavelmente usados para rituais funerários, bem como sepultamentos secundários ao redor das tumbas e dos recintos.

No sacrifício de servos, pessoas próximas ao governante são mortas quando ele morre, explica Campbell. Segundo a pesquisadora, em muitas culturas essa prática ocorre devido à crença de que os sacrificados continuariam servindo ao governante em algum tipo de vida após a morte, embora também possa representar uma demonstração contundente do poder do soberano.

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Alguns servos podem ter se oferecido voluntariamente para morrer a fim de alcançar a vida eterna ou a honra; outros podem ter sido escolhidos ou obrigados.

Petrie, porém, não encontrou indícios de trauma letal, o que colocou sua hipótese em dúvida. Na tentativa de solucionar esse mistério, Campbell procurou localizar as evidências remanescentes das escavações e analisá-las com base em conhecimentos forenses modernos.

A pesquisadora examinou 46 desses crânios pertencentes à coleção Duckworth, da Universidade de Cambridge, e os reavaliou, identificando novas evidências cruciais de violência.

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Dezoito dos 46 crânios apresentavam sinais de traumatismo craniano significativo: fraturas lineares que Petrie pode ter confundido com danos de origem natural. Os avanços da ciência forense, porém, permitiram reconhecê-las como lesões ocorridas imediatamente antes da morte.

A descoberta, destacou a pesquisadora, demonstra como a ciência moderna pode ajudar a reinterpretar registros históricos e a solucionar alguns mistérios arqueológicos do passado.

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