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Crise global do diesel dispara preços e ameaça provocar paralisações

O preço do diesel tornou-se o principal termômetro da instabilidade econômica mundial, acendendo alertas severos em diversos países com ameaças de greves e

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18/09/2026 11:15 • Atualizado há 2 dias

Crise global do diesel dispara preços e ameaça provocar paralisações

O preço do diesel tornou-se o principal termômetro da instabilidade econômica mundial, acendendo alertas severos em diversos países com ameaças de greves e paralisações nos setores de transporte, agricultura e pesca. A pressão sobre o combustível reflete gargalos estruturais e geopolíticos severos que afetam diretamente a cadeia global de suprimentos.

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As Duas Frentes da Crise Global

A disparada nos preços decorre de dois choques simultâneos na oferta internacional:

Frente Russa: Ataques direcionados contra refinarias e instalações petrolíferas russas reduziram drasticamente a capacidade de produção, forçando Moscou a suspender as exportações de diesel.

Frente do Oriente Médio: O conflito envolvendo os Estados Unidos e o Irã atingiu refinarias, fechou rotas marítimas estratégicas e reduziu severamente o escoamento de petróleo e derivados pelo Estreito de Hormuz.

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Antes dessas interrupções, a Rússia e os países do Golfo respondiam conjuntamente por quase 45% do comércio marítimo mundial de diesel e combustíveis similares. Embora o petróleo tenha registrado um recuo de cerca de 2%, a commodity segue cotada acima dos US$ 100 o barril.

Gargalo de Refino e Impacto na Europa

Especialistas apontam que o problema vai além do valor do petróleo cru: há escassez global de refinarias capazes de converter a matéria-prima em combustível refinado.

Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel superou a marca recorde de 6 dólares por galão. Na França, o litro saltou para 2,37 euros, acumulando uma alta de 40% desde fevereiro e gerando desabastecimento pontual de estoques. A revolta popular escalou rapidamente: pescadores bloquearam portos, incendiaram pneus e formaram barreiras náuticas em Nice.

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Pressionado pelo risco de caos social — em lembrança ao movimento dos "coletes amarelos" de 2018 —, o governo francês prorrogou ajudas emergenciais até o final do ano, como subsídios atrelados à variação do combustível para setores vulneráveis. Mesmo assim, categorias como taxistas relatam operar no prejuízo e articulam paralisações para a próxima semana, levando o presidente Emmanuel Macron a convocar líderes partidários ao Palácio do Eliseu para debater a crise.

O Reflexo no Brasil

O impacto também chegou ao mercado brasileiro, que importa cerca de um quarto de sua demanda por diesel.

Para evitar um choque inflacionário imediato, a Petrobras anunciou um reajuste de R$ 1,00 por litro, mas o aumento foi integralmente anulado por um subsídio federal de igual valor, válido inicialmente por 30 dias. Com a medida, o preço cobrado às distribuidoras permanece congelado temporariamente. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) assegura que, por ora, não há risco de desabastecimento generalizado no país, embora a pressão sobre o bolso do consumidor siga monitorada de perto.

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