Entenda ameaça de Trump à oposição de virar o 'Senhor Veto'
Diante de risco de perder maioria no Congresso, republicano promete travar projetos democratas na caneta

Com o avanço das eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), a disputa pelo controle do Congresso americano coloca o presidente Donald Trump sob forte pressão política.
Continua depois da publicidade
Diante do risco iminente de os democratas conquistarem a maioria na Câmara ou no Senado, o líder republicano avisou que adotará uma postura intransigente contra qualquer proposta legislativa da oposição.
Em declaração recente a um podcast, Trump prometeu assumir o papel de "Senhor Veto" (Mr. Veto) caso o Congresso passe para as mãos dos adversários:
"Se isso acontecer, acho que me tornarei o 'Mr. Veto'. Não vou deixá-los controlar as coisas e, em algum momento, provavelmente faremos acordos. Não seria a primeira vez que você tem um presidente sem a Câmara ou o Senado. Eles enviam projetos, você veta e, depois de um mês ou dois tendo tudo vetado, eles vêm e fazem um acordo."
O risco no Congresso e a perda de margem
O equilíbrio de poder em Washington está no fio da navalha:
Continua depois da publicidade
- Câmara dos Representantes: É o terreno mais delicado para o governo, com os republicanos sustentando uma vantagem apertada de apenas quatro cadeiras.
- Senado: A margem governista é de apenas oito assentos, com estados republicanos tradicionais — como o Texas — sob forte ameaça de virada.
Caso a oposição democrata assuma a Câmara, Trump enfrentará obstáculos severos para governar. Os deputados passarão a deter o poder de abrir investigações formais sobre decisões da Casa Branca, convocar secretários de Estado para depoimentos, travar ordens executivas, emperrar a votação do orçamento e até deflagrar novos processos de impeachment — embora uma condenação definitiva dependa de dois terços do Senado, cenário considerado improvável.
Popularidade em baixa e impacto global
A ameaça de confronto institucional coincide com um dos momentos de maior desgaste político de Trump, cuja popularidade atingiu mínimas históricas impulsionada pela alta no preço dos combustíveis e pela elevação do custo de vida decorrentes de tensões internacionais. Em um gesto com forte peso simbólico na própria data eleitoral, Trump determinou o corte de cerca de US$ 4 bilhões em financiamento militar destinado a Israel.
O embate em Washington também traz reflexos diretos para a economia global e emergentes como o Brasil:
Continua depois da publicidade
- Pauta comercial: Políticas protecionistas severas, como tarifas de importação generalizadas, podem ser barradas pelo Legislativo.
- Mercados e dólar: Um cenário de paralisia institucional e guerra de vetos tende a elevar a volatilidade financeira internacional, pressionando as cotações do dólar e retraindo investimentos externos.
