Filha de Peña usa camiseta 'taxem os pobres' em meio à crise no Paraguai
Imagem vaza em redes em meio à crise do Ueno Bank e julgamento de impeachment do presidente paraguaio

Costanza Peña, filha do presidente do Paraguai, Santiago Peña
Reprodução/Redes sociais
A filha do presidente do Paraguai, Costanza Peña, estudante da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, apareceu em foto usando uma camisa com a frase em inglês "Tax the poor" ("taxem os pobres"), publicada em perfil privado nas redes sociais e divulgada nesta sexta-feira (6), em meio ao processo de impeachment contra Santiago Peña.
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Foto provoca reação nas redes
A imagem, registrada no ambiente acadêmico da universidade norte-americana, circulou entre colegas e acabou vazando para perfis públicos, onde foi replicada por políticos e veículos de imprensa paraguaios.
O conteúdo gerou reação pela associação entre a frase da peça de roupa e a crise social vivida no país, após a liquidação do Ueno Bank, que deixou milhões de correntistas sem acesso ao dinheiro.
Nas redes, críticos apontam a contradição entre a mensagem "taxem os pobres" e o fato de que justamente as camadas de menor renda estão entre as mais afetadas pelo bloqueio das contas.
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Impeachment avança no Senado
O Senado do Paraguai retomou nesta sexta-feira (6) o julgamento do impeachment de Santiago Peña, em sessão dedicada à apresentação da defesa, que poderá ser feita pessoalmente.
Para destituir o presidente, são necessários 30 dos 45 votos. A Câmara aprovou a abertura do processo por unanimidade na quinta-feira (5). Em seguida, Peña enviou carta de renúncia, ainda não aceita pelo Congresso.
A renúncia, segundo aliados, busca garantir a condição de senador vitalício, com imunidade, benefício que se perde em caso de impeachment. Mais cedo, o presidente pediu uma prorrogação de 72 horas para apresentar sua defesa, pedido rejeitado pelo Senado.
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Peña afirma que exercerá seu direito de defesa e declara que sua prioridade é preservar a estabilidade do país e assegurar a devolução dos depósitos aos correntistas.
Crise do Ueno Bank agrava desgaste
O processo político ocorre em meio à intervenção do Banco Central no Ueno Bank por grave insuficiência de capital, medida que congelou contas de cerca de 3 milhões de clientes e revelou um rombo estimado em mais de R$ 4 bilhões.
O caso ganhou o apelido de 'Master Paraguaio' e intensificou a pressão social sobre o governo. Diante do desgaste, Peña anunciou que apresentou sua renúncia ao cargo, alegando buscar a estabilidade do país e a tranquilidade dos correntistas.
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Em vídeo, ele declarou que "nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai" e pediu desculpas ao povo caso tenha "falhado" com a confiança dos eleitores.
Investigações e sucessão indefinida
Paralelamente ao embate no Congresso, o Ministério Público abriu processo penal para apurar suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos depositados no Ueno Bank e a relação de Peña com empresas ligadas ao grupo financeiro.
Segundo o jornal "Hoy", os promotores Elena Fiore Franco, Silvia González Vöster e Christian Manuel Cáceres, da unidade especializada em crimes econômicos e corrupção, foram designados para conduzir o caso, sob coordenação da procuradora-adjunta Nancy Salomón Marín.
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A denúncia apresentada por parlamentares da oposição menciona divergências em declarações de patrimônio entre 2017 e 2023, aumento de bens considerado incompatível com o cargo e participação em empresas relacionadas ao banco, além de suspeitas de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e administração fraudulenta.
Para que a renúncia de Peña produza efeito, o Congresso precisa aceitá-la oficialmente. Caso isso ocorra, o vice-presidente Pedro Alliana deve assumir a Presidência. Com a crise financeira envolvendo o Ueno Bank e o julgamento de impeachment em curso, a definição sobre o comando do país segue em aberto.
