Fortes chuvas inundam 70 mil tendas e agravam crise humanitária em Gaza
Temporais destroem abrigos precários, causam desabamentos e aumentam o risco de hipotermia entre famílias

Chuvas em Gaza alagam 70 mil tendas de refugiados
REUTERS/Dawoud Abu Alkas
Fortes temporais atingiram a Faixa de Gaza e provocaram a inundação de cerca de 70 mil tendas onde vivem famílias palestinas deslocadas pelo conflito. O avanço das águas destruiu estruturas frágeis e deixou milhares de pessoas sem qualquer tipo de proteção contra as intempéries climáticas. Nos acampamentos improvisados, moradores usam panelas, baldes e utensílios domésticos para retirar a lama que invade os abrigos.
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Conforme informações divulgadas pelo governo de Gaza, a força das enxurradas causa o desabamento de paredes e tetos previamente rachados por bombardeios, deixando vários feridos, alguns em estado crítico.
O quadro atinge uma população em que cerca de 90% já precisou abandonar as próprias casas em repetidas ocasiões e lida diariamente com a escassez severa de água potável e de serviços essenciais de saneamento básico.
A catástrofe climática aprofunda a vulnerabilidade física e emocional da população civil nos campos de refugiados. Na região de Deir al-Balah, as perdas materiais se somam à angústia de famílias que não encontram alternativas para se instalar.
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A moradora Maryam Odeh, de 34 anos, descreveu à rede de notícias britânica BBC a sensação de desamparo gerada pela perda do espaço onde vivia com os filhos. Sem conseguir conter a água que tomou a tenda da família, ela relata a dor de não conseguir responder às perguntas das crianças sobre o local onde irão dormir.
No mesmo município, Khaled al-Najjar, de 41 anos, expressou preocupação com a chegada do frio rigoroso e a falta de salubridade, ressaltando que o temor permanente envolve a proliferação acelerada de doenças decorrentes do esgoto misturado às poças de lama.
Alerta humanitário e restrições de insumos
A gravidade do quadro mobiliza entidades internacionais presentes na região. Em pronunciamento à BBC, o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a Palestina, Jonathan Veitch, afirma que o cenário em Deir al-Balah é desesperador.
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Segundo o porta-voz, veículos de ajuda humanitária são interceptados nas vias públicas por pessoas que imploram por qualquer tipo de mantimento, água ou material impermeável. As operações das agências de socorro encontram dificuldades operacionais severas diante da demanda desproporcional e da falta de recursos materiais básicos em solo palestino.
O representante do órgão detalha que restrições impostas por Israel bloqueiam o ingresso de insumos cruciais e maquinário pesado, como óleo para motores, essencial para operar bombas de drenagem de grande porte.
A paralisação desse equipamento impede a contenção das enchentes nos pontos mais críticos do território. Paralelamente, cortes no orçamento da Organização das Nações Unidas reduzem de forma substancial a distribuição de lonas plásticas e tendas de reposição aos refugiados.
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A Unicef alerta para o risco iminente de mortes por hipotermia com a queda contínua das temperaturas, quadro que já causou óbitos no inverno passado e exige intervenção imediata para liberação de suprimentos.
