Internacional

França reúne 320 mil em protestos; mais de 400 são presos após confrontos

Alta dos preços e falta de perspectivas impulsionam nova onda de protestos entre jovens europeus

5 min

31/10/2026 16:43 • Atualizado há 49 min

A França registrou neste sábado (31) mais uma grande mobilização nacional contra o aumento do custo de vida, com centenas de milhares de jovens tomando as ruas de várias cidades do país. Paralelamente, na vizinha Alemanha, embora as manifestações tenham reunido bem menos pessoas do que o esperado pelas autoridades e pelos organizadores, crescem os sinais de insatisfação entre a Geração Z.

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Apesar dos contextos distintos, os protestos na França e a crescente mobilização de jovens na Alemanha revelam uma preocupação comum em partes da Europa: o impacto da alta do custo de vida sobre uma geração que enfrenta dificuldades cada vez maiores para acessar moradia, educação e estabilidade econômica.

O Ministério do Interior da França informou que cerca de 320 mil pessoas participaram dos protestos em cerca de 30 cidades. Os organizadores, porém, falam em números muito maiores: meio milhão de manifestantes, segundo sindicatos estudantis, e até 800 mil, de acordo com a central sindical CGT. Os maiores atos ocorreram em Paris, onde a polícia estimou a participação de 70 mil pessoas, contra 200 mil segundo os organizadores. Assim como nas semanas anteriores, alguns dos atos culminaram em confrontos e depredação.

Os protestos franceses tiveram origem no fim de setembro, quando estudantes secundaristas e universitários começaram a denunciar a deterioração das escolas e universidades públicas. Logo, o movimento passou a incorporar reivindicações relacionadas ao aumento dos preços, ao poder de compra e à qualidade dos serviços públicos.

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França mobiliza 70 mil agentes de segurança

As manifestações deste sábado ocorreram após duas semanas consecutivas de grandes mobilizações na França, mas foram relativamentes menores que as anteriores. Em 17 de outubro, cerca de 550 mil pessoas participaram de atos em todo o país, segundo o governo. Uma semana depois, em 24 de outubro, a participação caiu para 410 mil manifestantes. Embora a maioria tenha protestado pacificamente, os atos foram marcados por episódios de violência, vandalismo e saques, especialmente em Paris e Marselha. Os confrontos levaram o governo a reforçar o aparato de segurança e a impor restrições temporárias de circulação em áreas sensíveis da capital francesa.

O governo francês classificou os protestos deste sábado como de "alto risco" para a ordem pública. Por isso, cerca de 70 mil agentes das forças de segurança foram mobilizados em uma operação que incluiu policiais, gendarmes, veículos blindados, drones e helicópteros. As autoridades também reforçaram medidas preventivas após a circulação de mensagens em redes sociais incentivando saques, tumultos e ações violentas durante as celebrações de Halloween.

Mesmo assim, confrontos foram registrados em algumas cidades após os protestos, com ao menos 422 presos. Em Lyon, manifestantes montaram barricadas e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo. Em Marselha, contêineres foram incendiados. Em Toulouse, as forças de segurança utilizaram canhões de água para dispersar grupos que permaneciam nas ruas após o término da manifestação. Em Paris, a situação se agravou no final da marcha, quando a polícia dispersou o protesto: pedras, garrafas e fogos de artifício foram atirados contra os policiais, que responderam com gás lacrimogêneo.

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Os protestos foram convocados por sindicatos, estudantes, secundaristas e pelo movimento dos "coletes amarelos", que voltou a participar ativamente das mobilizações.

Temor de violência não se confirma na Alemanha

Na Alemanha, os protestos ocorreram neste sábado após dias de preocupação das autoridades e de empresários de que a violência vista na França pudesse se espalhar pelo país. Muitos comerciantes reforçaram a proteção de vitrines, especialmente em centros urbanos e ruas de luxo, embora os organizadores do movimento tenham pedido reiteradamente que os participantes mantivessem um comportamento pacífico.

Os temores não se concretizaram, e a maioria dos atos ocorreu sem grandes incidentes. As autoridades haviam mobilizado um grande contigentente de segurança, tendo em vista que mais de 180 mil pessoas haviam se registrado para participar dos protestos. O número, porém, não se confirmou e apenas alguns poucos milhares saíram às ruas para protestar.

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O maior ato ocorreu em Berlim, onde a polícia estimou cerca de 5 mil manifestantes no Portão de Brandemburgo. Para acompanhar os protestos, a capital contou com o reforço de aproximadamente 1.500 policiais.

Em Munique, aproximadamente 4 mil pessoas participaram de um protesto diante da Universidade Ludwig Maximilian. O ato seguiu pelas principais avenidas da cidade sem registro de incidentes relevantes.

Em Hamburgo, policiais foram atingidos por fogos de artifício e por barreiras de obras arremessadas por alguns manifestantes. Segundo a polícia, participantes vestidos de preto e, em alguns casos, mascarados arrancaram cercas plásticas de uma área próxima à estação central e as lançaram na rua. Posteriormente, parte desse material foi incendiada. As forças de segurança usaram spray de pimenta. Um canhão de água foi mobilizado para apagar os focos de incêndio.

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Em Colônia, devido ao uso de artefatos pirotécnicos e à presença de pessoas com o rosto coberto, as autoridades cancelaram o percurso planejado para a manifestação. Após a dissolução do ato, ocorreram confrontos isolados. Fogos de artifício foram lançados repetidamente e houve confrontos com agentes de segurança, que dispersaram a multidão utilizando efetivos reforçados e dois canhões de água.

Nos atos, muitos jovens expressam frustração com o alto custo dos aluguéis, a dificuldade de acesso à moradia, a precarização de parte do mercado de trabalho e a percepção de que terão uma qualidade de vida inferior à das gerações anteriores.

Segundo especialistas ouvidos pela emissora pública de TV alemã ARD, a mobilização reflete uma mudança geracional. Ao contrário de movimentos anteriores focados sobretudo em pautas climáticas, como o Fridays for Future, os protestos atuais combinam preocupações ambientais com demandas econômicas e sociais mais imediatas.

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Pesquisadores também apontam que parte da insatisfação está relacionada à sensação de que governos e partidos tradicionais não oferecem respostas rápidas para desafios que afetam diretamente os jovens, como acesso à universidade, mercado de trabalho e habitação. O tema tem ganhado espaço no debate político alemão à medida que partidos tentam ampliar seu apelo entre eleitores mais jovens.

Com informações da Deutsche Welle

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