Internacional

França tem novos protestos com saques, depredações e cerca de 400 presos

Mobilização iniciada por estudantes ganhou apoio de diversos setores da sociedade com pautas de insatisfação

4 min

17/10/2026 14:47 • Atualizado há 1 hora

França tem novos protestos com saques, depredações e cerca de 400 presos

A police officer attempts to extinguish a burning trash bin during a demonstration as part of nationwide protests called by the "Yellow Vests" movement against the cost of living and rising fuel prices, joined by French high school and university students, teachers and parents demanding better school conditions and government action, as well as labour unions, workers, farmers and retirees, in Nantes, France, October 17, 2026. REUTERS/Stephane Mahe TPX IMAGES OF THE DAY

Mobilização iniciada por estudantes ganhou apoio de diversos setores da sociedade com pautas de insatisfação

Uma nova jornada de mobilização nacional tomou as ruas da França neste sábado (17) em uma manifestação que terminou com confronto com a polícia, saques, depredações e em torno de 400 pessoas detidas. Segundo autoridades francesas, cerca de 500 mil pessoas participaram do ato --mais cedo, os organizadores tinham apontado mais de 800 mil.

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Os protestos, que iniciaram como um movimento estudantil contra a precarização do ensino público, ganharam a adesão de sindicatos, trabalhadores, aposentados, agricultores e ativistas do movimento dos "coletes amarelos", ampliando as pautas para o combate ao aumento do custo de vida e do preço dos combustíveis.

Atos foram registrados em cerca de 140 localidades. Embora a marcha principal tenha corrido de forma pacífica na capital, episódios de violência, saques a edifícios públicos e conflitos com a polícia de choque marcaram o dia em Paris e em diversas grandes cidades, resultando em centenas de prisões e feridos.

Confrontos, barricadas e prisões na capital

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Em Paris, manifestantes divergiram do trajeto oficial autorizado e avançaram em direção a pontos emblemáticos e bloqueados, como os Campos Elísios, a Place de la Madeleine, a Place de la Bastille e as proximidades do Palácio do Elysée. Barricadas foram montadas e incendiadas com lixo e materiais urbanos, enquanto forças de segurança responderam com bombas de gás lacrimogêneo, granadas de desorientação e jatos de água para conter a multidão.

O Ministro do Interior, Laurent Nuñez, atualizou, no fim da tarde deste sábado (horário de Brasília) o número de prisões para mais de 400 pessoas em toda a França, segundo o jornal The Guardian. As acusações incluem participação em grupos praticantes de violência e vandalismo, posse de armas e explosivos, uso de máscaras e agressão a agentes públicos.

A violência foi condenada por lideranças políticas. O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, pediu calma e desescalada, afirmando que a violência e o vandalismo são inaceitáveis e atrapalham a livre expressão democrática.

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Já o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, atribuiu os atos de vandalismo a "grupos de ultraesquerda e delinquentes", afirmando que o governo não se deixará intimidar e que os responsáveis responderão à Justiça.

Onda de vandalismo, saques e destruição nas regiões

A tensão se espalhou por vários centros urbanos fora da capital:

  • Lyon: Um posto de informação turística da cidade foi incendiado. Barricadas de paralelepípedos foram erguidas no centro da cidade, e diversos estabelecimentos comerciais —incluindo lojas de roupas e de artigos esportivos— foram invadidos e saqueados.
  • Bordéus: A residência oficial da prefeita regional de Gironde, Sophie Brocas, foi invadida e depredada. A gravidade do ataque exigiu a intervenção de uma unidade de elite da polícia.
  • Marselha: Grupos de manifestantes invadiram a prefeitura e derrubaram um busto de Marianne, símbolo da República Francesa, além de causarem danos a uma delegacia municipal.
  • Nice: A prefeitura local reportou a prisão de mais de dez pessoas envolvidas no saque de lojas e em ataques a um veículo da polícia municipal e ao centro de videomonitoramento da cidade.
  • Saint-Étienne: Um adolescente de 17 anos ficou gravemente ferido na mão ao recolher uma granada antes da explosão, sendo socorrido ao CHU de Saint-Étienne. Esse é o segundo caso desse tipo registrado desde o início dos protestos. No início do mês, um adolescente de 15 anos perdeu a mão em Lens.
  • Outras cidades: Lojas também foram alvos de saques em Lille (onde uma loja da Apple foi invadida), Rouen e Rennes, onde um supermercado da rede Carrefour City foi saqueado em meio a confrontos.

Origem do movimento e reinvindicações

A onda de protestos teve início há semanas, liderada por sindicatos de estudantes e professores contra a falta de investimentos na educação pública. Entre as principais queixas estão a infraestrutura escolar precária, salas de aula superlotadas, escassez de professores, horários sobrecarregados e o funcionamento dos sistemas estatais de seleção universitária.

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Com o passar dos dias, a insatisfação popular cresceu com o avanço do custo de vida e a alta dos combustíveis —impulsionada em parte pelas instabilidades no Oriente Médio—, transformando o movimento em um desafio social mais amplo para a gestão do presidente Emmanuel Macron e seu plano de corte de gastos orçamentários.

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