Internacional

Ganhadora do Nobel da Paz diz que EUA devem retomar defesa dos direitos humanos

Ganhadora do Nobel da Paz diz que EUA precisam retomar papel de defensores dos direitos humanos

3 min

13/10/2026 15:02 • Atualizado há 5 horas

Ganhadora do Nobel da Paz diz que EUA devem retomar defesa dos direitos humanos

Navi Pillay

REUTERS/Valentin Flauraud/File Photo

A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, Navi Pillay, afirmou nesta terça-feira (13) que os Estados Unidos precisam retomar seu papel na defesa dos direitos humanos. Em entrevista à agência Reuters, em Haia, onde atua como juíza da Corte Internacional de Justiça (CIJ), ela pediu que Washington volte a exercer sua liderança internacional com seriedade.

Continua depois da publicidade

“Minha mensagem é: ‘Vocês precisam voltar a exercer seu papel de liderança com seriedade, desempenhando uma função libertadora para o resto do mundo’”, declarou.

Poucas horas após o anúncio do prêmio, o governo americano anunciou sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), onde Pillay trabalhou por cerca de cinco anos. Segundo o Departamento de Estado, as medidas buscam “defender a soberania americana e seus cidadãos contra a ameaça representada pelo TPI”.

“Vamos proibir transações com esse tribunal desonesto, cortando seus recursos e prejudicando sua capacidade de atuar contra nós”, disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em vídeo publicado nas redes sociais.

Continua depois da publicidade

Sanções contra o Tribunal Penal Internacional

Pillay liderou investigações sobre possíveis acusações contra tropas americanas no Iraque e no Afeganistão no âmbito do TPI. Para ela, o momento escolhido para anunciar as sanções não foi uma coincidência.

“Considero isso muito lamentável. No entanto, os planos de atacar a Justiça Penal Internacional por meio do TPI já vinham sendo articulados há bastante tempo”, afirmou.

A juíza também relatou que procurou funcionários do tribunal para manifestar apoio após retornar de Nuremberg a Haia.

Continua depois da publicidade

“Foi por isso que a primeira coisa que fiz ao voltar de Nuremberg para Haia foi procurar os funcionários do TPI para demonstrar solidariedade ao trabalho deles na promoção da Justiça Penal Internacional e proteger aqueles que já foram alvo de sanções”, disse.

Relatório sobre Gaza

Pillay chefiou a Comissão Internacional Independente de Inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a guerra na Faixa de Gaza, iniciada após os ataques do grupo terrorista Hamas contra Israel, em 2023. O relatório concluiu que o governo israelense estava cometendo genocídio no território. Israel classificou o documento como tendencioso e mentiroso.

À Reuters, Pillay atribuiu as críticas ao relatório à “propaganda falsa de grupos de pressão que promovem Israel”.

Continua depois da publicidade

Trajetória e combate à violência sexual

Pillay também investigou o genocídio em Ruanda, em 1994. Como juíza e presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR), integrou o colegiado que reconheceu, em uma decisão histórica, que o estupro e outras formas de violência sexual podem constituir atos de genocídio.

Segundo ela, esse tipo de violência ainda é insuficientemente investigado e processado em casos de crimes de guerra. A juíza afirmou que parte dos promotores, em sua maioria homens, acredita que abordar essas questões pode prejudicar os processos.

Após encerrar seu mandato na CIJ, Pillay pretende trabalhar para mudar esse cenário. “Há uma base sólida, estabelecida não apenas pelo tribunal de Ruanda, mas também por tribunais internacionais posteriores, que demonstra que não se pode mais ignorar a violência sexual como dano colateral ou como uma ‘recompensa para os soldados’”, afirmou.

Continua depois da publicidade

Ao comentar a premiação, Pillay destacou que era apenas a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz desde a criação da honraria, em 1901. “Isso, por si só, mostra o quanto a desigualdade contra as mulheres está enraizada”, disse.

Tópicos relacionados